Sustentabilidade, Ciência e Inovação

Mais da metade das pessoas do mundo moram nas cidades e, em apenas algumas décadas, mais de dois terços da população em rápido crescimento do mundo será urbana. Como as cidades já consomem grande parte dos recursos do planeta e geram grande parte de seus resíduos, essas tendências ameaçam tornar a Terra miserável, a menos que as cidades se tornem mais sustentáveis.


Segundo estimativas do Global Footprint Network (GFN), 1° de agosto de 2018 marca o início da sobrecarga de consumo de recursos para o ano de 2018, uma vez que o mundo já consumiu todos os recursos naturais que foi capaz de produzir no ano. Então a partir de agora serão 5 meses em dívida com o planeta.


A sustentabilidade é a característica de um sistema que tem condições para se manter ou preservar. O desenvolvimento sustentável tornou-se um dos principais desafios das nações que perceberam que não existe economia forte sem preservação ambiental e consciência de consumo dos recursos disponíveis.


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) os cinco países mais poluidores, usando o critério de emissão de CO2, são a China, os Estados Unidos, a Índia, a Rússia e o Japão. O relatório da Agência Europeia do Ambiente (AEA) destaque a Alemanha como país com a maior fatia de emissões de CO2 na União Europeia, 22,9% do total emitido, seguida pelo Reino Unido (11,7%) e pela Itália (10,1%).


Em 2016, a poluição atmosférica causou, sozinha, cerca de 4,2 milhões de mortes. Os números são tão alarmantes que em 2018, a OMS convocou a primeira Conferência Global sobre Poluição do Ar e Saúde, que acontecerá entre os dias 30 de outubro e 1º de novembro de 2018, na sua sede em Genebra.


Apesar da situação caótica em que o planeta se encontra tem-se presenciado um movimento global de iniciativas positivas. A China, maior poluidor do mundo, estabeleceu metas audaciosas para o desenvolvimento sustentável. No seu plano estratégico Made in China 2025 o país definiu como um dos princípios orientadores do plano o “desenvolvimento verde”, para tanto, definiu o desenvolvimento sustentável como foco da produção industrial, com aplicação de tecnologias, processos e equipamentos voltados para economia de energia e produção mais limpa. Entre as tarefas estratégicos está a aplicação de métodos verdes de produção para tornar a produção industrial mais ecológica.


Entre as audaciosas metas de indução ecológica está construir 1.000 fábricas verdes e 100 parques industriais verdes até 2020. Reduzir a emissão de poluentes primários em 20% e alinhar o consumo de energia por unidade com níveis mundiais avançados até 2025. Um dos pontos fortes é a melhoria da eficiência energética.


Outros países têm igualmente enfrentado problemas ambientais e buscado alternativas para suportar o desenvolvimento econômico de maneira mais sustentável é o Egito. Após enfrentar uma séria crise energética que provocou a fechamento de fábricas e comércios em 2010 o país buscou formas alternativas de fornecer energia, gerar empregos e reduzir as emissões de gases na atmosfera. A cidade do Cairo foi considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a segunda cidade mais poluidora do planeta.


A previsão é de que, até 2019, o Egito conclua o projeto de construção do maior complexo de usina solar do mundo no deserto. O complexo de 30 usinas ajudará o país a fazer a transição de energia de combustíveis fósseis para fontes verdes. O governo prevê que até 2025 consiga obter 42% da eletricidade a partir de fontes renováveis.


A Alemanha tem investido em tecnologias sustentáveis como a CityTree (árvore da cidade), uma estrutura cujas folhas são feitas de musgo e que absorve a poluição do ar na cidade como se fosse uma pequena floresta. Cada árvore tem a capacidade de absorver o dióxido de nitrogênio e partículas do ar equivalente a 275 árvores naturais. Ou seja, absorve 250 gramas de material particulado por dia e captura 240 toneladas métricas de CO2 por ano. Atualmente, essas árvores estão em 25 cidades ao redor do mundo (Modena, Oslo, Hong Kong, Glasgow, Bruxelas e em várias cidades alemãs).


O problema ainda está nos custos. Plantar e manter uma árvore tradicional custa cerca de US $ 950 por década. Uma CityTree custa US $ 28.000. Muitos se perguntam se não é melhor investir esses esforços - e dinheiro - em projetos que atacam diretamente a fonte de poluição e não suas consequências.


A árvore tem um sistema para coletar a água da chuva que ela usa para se irrigar. Imagem: Green City Solution

Já Dubai gastará 354 milhões de dólares para construir uma cidade onde só haverá carros elétricos e energia solar para limpar a imagem negativa dos Emirados Árabes Unidos como produtores de petróleo e principais emissores de gases de efeito estufa. A intenção é que 75% da energia do país seja de origem renovável em 2050. Haverá 250 estações de recarga em toda a cidade, um parque de 30 metros quadrados com 2.500 árvores que ajudará a reduzir a poluição e até mesmo dois lagos artificiais criados a partir de água reciclada.


O governo australiano aprovou em 2017 a construção da maior usina solar térmica do mundo: um monstro com uma potência de 150 megawatts que será construída em Port Augusta, Austrália Meridional.



A verdade é que a ciência, a tecnologia e a inovação terão papel fundamental para tornar as cidades sustentáveis e manter as economias competitivas. Na conferência Science and the Sustainable City, realizada pela Springer Nature, em Cingapura, o diretor de inovação da IBM Bernard Meyerson, defendeu que a sustentabilidade é impulsionada pela ciência, pela tecnologia e pela inovação, portanto, cientistas são fundamentais para tornar as cidades sustentáveis. Basta para tanto, que os líderes das cidades os convidem para resolverem problemas humanos reais.


Meyerson apresentou seu argumento com base na lista de tecnologias emergentes apresentadas no Fórum Econômico Mundial. Muitas delas poderiam melhorar diretamente a vida urbana se os líderes das cidades trouxessem cientistas e engenheiros para aplicá-las.


Arron Wood, vice-prefeito de Melbourne, na Austrália, confirmou que os cientistas ajudaram sua cidade a projetar e implantar tecnologias, como um sistema de tanques de retenção de águas pluviais que diminuíram as inundações durante fortes tempestades e também forneceram água durante os períodos de seca que predominam durante a maior parte do ano. Igualmente pesquisadores ajudaram a cidade a estabelecer metas científicas para as emissões anuais de dióxido de carbono que permitirão que ela se torne gradualmente uma cidade com emissões zero.


Apesar de alguns sucessos, Wood disse que os administradores das cidades e cientistas não trabalham juntos o suficiente tão pouco trabalham bem juntos. Há uma lacuna na forma como os grupos se comunicam e operam. David Wallerstein, diretor de exploração da empresa de investimentos chinesa Tencent, disse que o mesmo vale para os inovadores: "Cidades e empresários não se comunicam bem". A questão, segundo Wallerstein, é que “as cidades não explicam bem suas principais prioridades - o que elas mais querem resolver”. Portanto, cientistas e empreendedores não estão cientes do que exatamente as cidades podem precisar ou de quem abordar se acharem que podem ter uma solução potencial que possa contribuir para sua melhoria.


Wood ressalta que os cientistas e suas universidades deveriam tentar encontrar maneiras de acelerar o tempo de duração das suas pesquisas já que as cidades não têm muito tempo para resolverem problemas emergenciais. Outra questão é colocar a ciência da sustentabilidade na pauta das agendas de pesquisa. Igualmente tem-se que injetar ciência social na ciência da sustentabilidade, uma vez que as cidades são feitas para e por pessoas.


Para acesso a mais dados relacionados a mudança climática acessar o CAIT Climate Data Eplorer: http://cait.wri.org/indc/


Fontes: Revista Época; Nações Unidas no Brasil (ONUBR); Terra Notícias; Jornal de Negócios; Forum Economico Mundial e Scientific American.

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