Setor primário segue impulsionando exportações do estado

A balança comercial do estado movimentou um total de U$ 1,89 bilhão em agosto, registrando déficit de U$ 435 milhões. No total, foi exportado um montante de U$ 727 milhões, enquanto as importações corresponderam a U$ 1.163 milhões. As variações frente ao mesmo mês do ano anterior foram de -3,3% e -22,5%, respectivamente. As atividades relacionadas a agropecuária são destaque, impulsionando positivamente as exportações no mês de agosto.


Exportações de Santa Catarina

Santa Catarina exportou, no mês de agosto, um montante equivalente a U$ 727 milhões, resultado 3,3% inferior ao apresentado no mesmo mês do ano anterior, sinalizando maior estabilidade com o aumento da atividade econômica no estado. O destaque entre os produtos continua sendo a carne suína, produto cujo estado é o principal exportador do país, com crescimento de 59,2% no montante exportado frente a agosto de 2019. A preferência pelo produto catarinense ocorre pelo aumento da demanda chinesa, por conta da redução dos estoques de carne suína, e pela qualidade do produto catarinense, resultado do elevado grau de investimento em saúde animal e garantias do produto em Santa Catarina, tendo o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal. Estados Unidos e Chile também aparecem como destaques entre os demandantes, fora do mercado asiático, buscando suprir sua demanda interna.

A exportação de carne de aves segue enfrentando queda em 2020, recuando 32,7% no comparativo de agosto. A retomada do mercado por outros estados da união contribui com o resultado. Apesar de recentes impasses relacionados à identificação de contaminação pela Covid-19 em embalagens do produto em lotes oriundos de uma unidade de frigorífico em Xaxim, destinados a China, o país descartou restrições à importação.

Os volumes de exportação de soja e tabaco, por sua vez, apresentaram aumento frente a julho do ano passado, caracterizado principalmente por questões sazonais relacionadas a clima e produtividade.

A China segue como principal parceiro comercial do estado, sendo o único país, entre os principais, a apresentar crescimento no volume de exportações em relação a agosto de 2019.


Importações de Santa Catarina

As importações do estado, por sua vez, movimentaram U$ 1.163 milhões em agosto, registrando aumento frente ao resultado do mês anterior, ainda que a retração frente ao mesmo mês do ano anterior tenha sido de 22,5%. O baixo desempenho é reflexo da redução na atividade industrial no estado, principalmente do setor automotivo, impactado pelos reflexos negativos da pandemia sobre a atividade econômica.

O destaque entre os produtos importados é o cobre, que apresentou aumento de 7,8% no nível de importação frente a agosto do ano passado. No acumulado do ano, no entanto, o resultado ainda aponta retração de 8,9%, o que pode ser explicado pela queda atípica no ano da atividade industrial, onde o insumo é utilizado em grande escala, em decorrência da necessidade de readequação produtiva motivada pela pandemia do Covid-19.

Entre os principais produtos importados relacionados à atividade industrial também se encontram laminados de ferro e aço (+43,1%), utilizados em grande escala nas atividades de metalurgia. Polímeros de etileno aparecem com aumento de 40,3%, sendo o principal insumo na fabricação de embalagens. Já o alumínio, que cresceu 26,8% é presente nas atividades da construção civil, setor cuja atividade vem progressivamente apresentando melhora, com aumento nos indicadores de confiança e expectativa.


Também cabe destacar o aumento de 66,5% nas importações de fertilizantes, utilizados na produção agrícola, que tangem a produção de grãos, visando tanto o consumo interno, quanto a exportação e a produção de ração para os rebanhos suínos e de frango.

O mês de agosto se caracterizou pela queda nas importações entre os principais parceiros comerciais do estado. O resultado negativo é impactado principalmente pela queda nas importações oriundas da China, que caíram 26,9% e representam 36,5% do total do estado. Entre os demais países a queda foi menos acentuada, e é explicada principalmente pela diminuição da atividade produtiva no estado. No entanto, as perspectivas seguem sendo de melhora, conforme apontam os últimos resultados das sondagens da indústria e confiança dos empresários.


É importante destacar que o aumento da volatilidade no câmbio gera dificuldade por parte dos industriais em planejar a compra de produtos industrializados e insumos para suas produções. As desvalorizações cambiais recentes aumentam o custo do importador que, somados às incertezas quanto ao avanço da pandemia, afetam a previsibilidade de geração de receitas, insumos e estoques.


Balança comercial nacional

A balança comercial nacional registrou superávit de U$ 6,6 bilhões, no mês de agosto. O resultado é sustentado principalmente pelo setor primário, o único a não enfrentar retração do PIB setorial no segundo trimestre de 2020. O superávit na balança comercial pode trazer benefícios fiscais ao país, e podem indicar maior propensão a uma retomada produtiva em um cenário macroeconômico mais favorável na segunda metade do ano.

A China continua sendo o principal demandante das exportações brasileiras neste mês. O montante exportado cresceu 8,1% frente ao mesmo período do ano passado, motivado pela retomada da demanda do país a níveis pré-pandemia, com os quadros de saúde pública locais estabilizados.

O Reino Unido também registrou aumento de 32% no nível de importações vindas do Brasil no mesmo comparativo. Já Estados Unidos e Argentina, parceiros comerciais recorrentes, apresentaram recuo no mesmo período, em função dos choques de demanda interna causados pelos impactos da pandemia em escala global.

Referente às importações em agosto, petróleo bruto e inseticidas foram destaques. Apesar atividades extrativas terem sido as menos afetadas pela pandemia dentro do setor industrial, ainda há carência na oferta interna pelo insumo. Os inseticidas aparecem na sequência, sendo uma forma de buscar aumento na produtividade nas plantações.

Santa Catarina apresentou o oitavo maior montante exportado em relação às demais unidades federativas, no mês de agosto. No que tange as importações, o estado caiu para a terceira colocação, cedendo o segundo posto para o Rio de Janeiro.

De janeiro a agosto, as exportações brasileiras registraram U$ 138 bilhões, representando queda de 7,3% ante 2019. Santa Catarina alcançou U$ 5,4 bilhões no comparativo, com redução de 10,4%. Em relação às importações, as compras internacionais foram o equivalente a U$ 102 bilhões no mesmo período, com redução de 12,9% no comparativo. Já Santa Catarina registrou U$ 9,4 bilhões em mesmo período, com queda de 15%.


O relatório pode ser baixado na íntegra no formato PDF através do link a seguir:

Balança_Comercial_-_Agosto
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