Saiba o que o mundo está fazendo para deter o Coronavírus



O mundo está em alerta diante da nova ameaça à saúde da população mundial que é o coronavírus, causador da Covid-19. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o mundo vive uma condição de pandemia, tida como uma emergência de saúde pública de interesse internacional, a exemplo da gripe suína H1N1 que acometeu mais de 1 milhão de pessoas no mundo, em 2009. As consequências econômicas e sociais ainda não podem ser quantificadas, mas o impacto nas organizações e na sociedade é inequívoco.

A velocidade de contágio com que o coronavírus avançou internamente na China e ultrapassou suas fronteiras para outros países e continentes intensifica a situação de emergência e exige respostas internacionais rápidas e efetivas, para prevenir perdas humanas e econômicas. No cenário global, a atenção está voltada à busca de medidas preventivas e estratégias para vencer a batalha contra a Covid-19.




Como país epicentro da epidemia, a China tem até o momento o maior número de registro de infectados e de mortes. Apesar de algumas críticas por uma reação inicial lenta frente a gravidade da situação, o governo chinês adotou medidas radicais para prevenir, controlar e tratar os casos de Covid-19. Entre as medidas radicais estão o isolamento total de cerca de 56 milhões de pessoas na província de Hubei e a construção de hospitais em pouquíssimo tempo, como o hospital de Huoshenshan, construído em 10 dias.

O que os países que já passaram pelo ápice do surto do Covid-19, como a China, podem ensinar aos demais países para reduzir os impactos dessa doença?

Umas das medidas restritivas mais adotadas na esfera internacional para conter o avanço do coronavírus tem sido o fechamento de fronteiras dos países. Contrária à decisão da Itália, principal concentração da doença na Europa, países como França, Alemanha, Áustria, Suíça, Croácia e Eslovênia resistiram à medida, mas a União Europeia anunciou, no dia 16 de março, o fechamento de suas fronteiras por 30 dias. Apesar da medida radical, a própria Comunidade Europeia alerta que é necessário considerar que as fronteiras aéreas, terrestres e marítimas são a forma de entrada de materiais, medicamentos e equipamentos de apoio na prevenção, controle e tratamento da doença.


Outra medida adotada por países como Estados Unidos, Japão, Austrália, Rússia e Indonésia, de restrição do deslocamento geográfico, foi a proibição da entrada em seu território de viajantes oriundos de países foco da doença, como chineses e italianos. A maioria dos demais países que está permitindo a entrada de estrangeiros vindos de países com registros da doença, está adotando a estratégia da quarentena (geralmente 14 dias) para passageiros assintomáticos, testes de confirmação da doença para pessoas com sintomas e medidas combinadas para pessoas que testarem positivo para o coronavírus.




Medidas restritivas de acesso a ambientes públicos, onde há concentração de pessoas, tais como escolas, museus, shows, teatros, arenas esportivas e estádios vêm aumentando em todo o mundo. A restrição tem sido vista como um critério eficiente para controlar a propagação da doença.


Agendas esportivas como a Copa América, o Campeonato brasileiro de futebol e a temporada da liga americana de basquete, a NBA, também foram interrompidas temporariamente. No caso da educação, o ensino à distância tem sido uma alternativa para as escolas que contam com tecnologia de apoio para essa modalidade não pararem suas atividades completamente, reduzindo o impacto no calendário escolar.



No campo profissional, a tendência mundial para conciliar a segurança das pessoas com a continuidade das atividades produtivas tem sido o home office. Países como Estados Unidos, Coréia do Sul, Alemanha, França, Itália, China, Brasil e tantos outros optaram por essa estratégia.




No Brasil, o BNDES, por exemplo, além de liberar o home office orientou que profissionais que retornarem de férias ou de viagem devem ficar por 14 dias em casa.



Já frigoríficos estudam a possibilidade de férias coletivas e parada de linhas de produção para reduzir os impactos do coronavírus. A JBS deu férias coletivas forçadas em cinco frigoríficos. Empresas do setor automobilístico na Europa já fazem parada em massa e igualmente paralisaram linhas de produção, para evitar a disseminação da doença.


O confinamento domiciliar tem sido usado como estratégia para proteger pessoas de grupos de risco, tais como pessoas com doenças crônicas (diabetes, hipertensão, cardiopatias, doenças respiratórias), imunodeprimidos e idosos. Pacientes que testaram positivo, mas assintomáticos, também têm cumprido essa rotina de confinamento/quarentena. Mas atenção, pacientes contaminados devem ser isolados em seus quartos nos domicílios, cumprindo a rotina de quarentena.


O uso de tecnologias de monitoramento é outra estratégia adotada por alguns países que possuem tecnologias para esse fim. O governo de Israel, apesar das críticas de entidades de direitos civis, irá utilizar, por cerca de duas semanas, o cibermonitoramento por celular, de pessoas contaminadas, para controlar a disseminação da doença.


O uso da Inteligência Artificial para monitoramento de suspeitos de novos coronavírus também foi apontado na China. Algumas empresas veem o uso do sistema de detecção de temperatura facial como uma possibilidade viável de identificação de suspeitos da doença em aeroportos e estações de trem.


Como o coronavírus é altamente contagioso, medidas e rotinas de controle de contato e higiene pessoal e coletiva tem contribuído no controle da doença. No campo do controle clínico os serviços de saúde de alguns países têm submetido pacientes de grupos de risco a testes no intuito de antecipar o diagnóstico e prevenir o agravamento da doença e suas consequências. No Reino Unido, por exemplo, os testes estão sendo realizados em 8 hospitais e 100 postos de saúde.


O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças - European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) - elaborou uma lista de verificação de cuidados para hospitais que se preparam para a recepção e atendimento de pacientes com coronavírus.

Essa lista se aplica a qualquer ambiente de cuidados:


  • Estabelecimento da competência da equipe principal de atendimento e dos membros dos pontos de chaves de contato, internos e externos;

  • Capacidade humana, de materiais e de instalações;

  • Comunicação interna e externa, e proteção de dados;

  • Procedimentos de treinamento;

  • Higiene das mãos, equipamentos de proteção individual (máscaras, luvas etc.) e gerenciamento de resíduos;

  • Triagem, primeiro contato e priorização de atendimento e procedimentos;

  • Internação do paciente e sua movimentação no ambiente hospitalar, e acesso do visitante; Limpeza do ambiente de cuidados e tratamento.


Como forma de controle das condições de higiene e da doença, a empresa dinamarquesa UVD Robots firmou um acordo com a Sunay Healthcare Supply para distribuir seus robôs na China. Com uso de luz UV, os robôs andam pelas alas de hospitais e desinfetam os ambientes. A solução pode ser usada na prevenção em ambientes coletivos, como salas de esperas, teatros, cinemas, shoppings, cabines de avião e vagões de trem. A catarinense TNS Nanotecnologias oferece ao mercado nanopartículas na forma de pó e líquidas (aditivos antimicrobianos) como uma alternativa para descontaminação de ambientes. O aditivo da TNS pode ser usado na formulação de tintas, tecidos, esponjas e metais para o combate a bactérias que se associam a patógenos como o coronavírus. Com isso, previne-se contaminação cruzada.


Apesar das medidas de incentivo para adoção de boas práticas de higienização que vem sendo feito à população, é na pesquisa e no desenvolvimento de vacinas e medicamentos que a comunidade médica se mantém atenta – de onde devem sair as soluções mais eficazes em termos de saúde pública para combater o coronavírus. Cientistas da Universidade de Wuhan estão usando um software baseado em Inteligência Artificial (IA) no processo de triagem e diagnóstico em pacientes suspeitos de coronavírus. O algoritmo usado junto com exames de tomografia computadorizada (por meio das imagens) é capaz de identificar sinais de pneumonia relacionada ao vírus.


Na corrida pela busca de uma vacina para o coronavírus estão China, Estados Unidos, Autrália, França, Alemanha, Israel, Espanha entre outros países.


A criação da Coalizão para Inovações para Preparação contra Epidemias (CEPI) em 2017, no intuito de reduzir os prazos de desenvolvimento das vacinas com recursos públicos e privados tem entre seus projetos o de sequenciamento genético do coronavírus de Wuhan, o que permitirá não iniciar o processo de elaboração da pesquisa da vacina do zero.

O laboratório de coronavírus do Centro Nacional de Biotecnologia (CBN-SIC) na Espanha, o Instituto Pasteur da França e outras empresas e universidades no mundo anunciaram outros projetos nas últimas semanas. Nessa corrida a empresa Moderna em parceria com o Instituto Nacional de Saúde americano (NIH), dos Estados Unidos, anunciou essa semana o primeiro teste em humanos de uma possível vacina contra o coronavírus chamada de Mrna-1273. Nessa corrida, ainda está o Instituto de Pesquisas da Galileia (Migal), de Israel, que trabalha numa versão oral de vacina. A empresa CureVac, que trabalha na fabricação da vacina em colaboração com o Instituto Paul Ehrlich, vinculado ao Ministério da Saúde da Alemanha. O Instituto Peter Doherty de Infecção e Imunidade em Melbourne que mostra como o sistema imunológico combate o novo coronavírus. O que é consenso nessa disputa é que processos de desenvolvimento de vacinas não são triviais, por terem que passar por vários testes até comprovarem sua eficácia e segurança e se tornar um produto disponível para o público.


Por tratar-se de uma doença nova as medidas de comunicação que disseminam informações e orientações que esclarecem ao público o que é a doença, as principais formas de contágio, disseminação e tratamento também ganham papel central entre as ações de saúde pública a serem fomentadas pela iniciativa pública e privada. Sendo a disseminação de fake News um desserviço à sociedade.


Não menos importante serão as medidas humanitárias entre continentes, nações e estados de diferentes níveis de desenvolvimento econômico para que se apoiem no que for preciso para salvar vidas.



LINKS


EBC - Agência Brasil de Notícias

https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2020-03/oms-faz-apelo-para-que-europa-tome-acoes-mais-ousadas


Globo.com - G1

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/02/02/coronavirus-no-mundo-paises-adotam-medidas-restritivas-contra-disseminacao-do-virus.ghtml


Carta Capital

https://www.cartacapital.com.br/saude/entenda-o-que-e-uma-pandemia/


Folha de São Paulo

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/02/europa-reforca-medidas-de-prevencao-contra-coronavirus-e-tenta-evitar-panico.shtml


European Centre for Disease Prevention and Control. Checklist for hospitals preparing for the reception and care of coronavirus 2019 (COVID-19) patients. ECDC: Stockholm; 2020.

https://www.ecdc.europa.eu/sites/default/files/documents/covid-19-checklist-hospitals-preparing-reception-care-coronavirus-patients.pdf


Exame: Como os estados brasileiros estão agindo para conter o coronavírus

https://exame.abril.com.br/brasil/como-os-estados-brasileiros-estao-agindo-para-conter-o-coronavirus/


El País: Expansão do coronavírus acelera corrida por vacina - Uso de modelos já utilizados em outros agentes patogênicos permite reduzir prazo para desenvolver imunização

https://brasil.elpais.com/internacional/2020-02-04/expansao-do-coronavirus-acelera-corrida-pela-vacina.html


dw.Brasil: Cientistas brasileiros buscam vacina contra coronavírus

https://www.dw.com/pt-br/cientistas-brasileiros-buscam-vacina-contra-coronav%C3%ADrus/a-52805843


Valor Econômico: Crise do coronavírus faz JBS dar férias coletivas em cinco frigoríficos

https://valor.globo.com/agronegocios/noticia/2020/03/16/crise-do-coronavirus-faz-jbs-dar-ferias-coletivas-em-cinco-frigorificos.ghtml


Economia SC: Tecnologias ajudam no combate e prevenção ao coronavírus

https://www.economiasc.com/2020/03/17/tecnologias-ajudam-no-combate-e-prevencao-ao-coronavirus/


Folha de SP: Israel começa a rastrear infectados por coronavírus com localização de celulares

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/03/israel-comeca-a-rastrear-infectados-por-coronavirus-usando-localizacao-dos-celulares.shtml


COMPUTERWORLD: Como a tecnologia está sendo usada para entender e combater o novo Coronavírus

https://computerworld.com.br/2020/03/11/como-a-tecnologia-esta-sendo-usada-para-entender-e-combater-o-novo-coronavirus/

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