Saiba o aconteceu no Healthcare Innovation Show (HIS) na última semana

Atualizado: 28 de Set de 2018


Foto: HIS. Executivos comemoram sucesso na 4ª edição do HIS.

No último dia 19 e 20 de setembro foi realizado em São Paulo um dos maiores eventos de inovação em cuidados com a saúde, o Healthcare Innovation Show (HIS), que contou com uma feira de expositores e palestras simultâneas em 5 (cinco) palcos. O evento contou com importantes players nacionais do setor de hospitais, laboratórios farmacêuticos, empresas de tecnologia e de gestão da saúde.


Entre as pautas estratégicas do evento merece destaque a discussão de novos modelos de negócio de saúde assistencial. Os custos elevados de saúde suplementar aliados a baixa eficiência dos resultados inviabilizam o modelo tradicional de saúde “fee for service”, cujo foco é o pagamento por procedimento executado. A proposta de um novo modelo é sustentada nos resultados alcançados “payment for performance” (P4P). No modelo P4P o valor da saúde está atrelado a solução do problema do paciente e esse por sua vez, deve estar no centro do tratamento.


Para os especialistas que discutiram o tema o modelo exige:

  • Assumir riscos, investir em saúde primária e trocar a prática de silckcare por healthcare;

  • Implementar uma cultura de exames mais criteriosa;

  • Evitar hospitalizações desnecessárias;

  • Especializar-se em serviços personalizados;

  • Investir em tecnologia de processo para padronizar atividades, reduzir tempo de atendimento, erros e reduzir custo;

  • Usar tecnologias como Big Data que gere dados confiáveis, como de exames, que possibilite praticar a medicina personalizada, não apenas diagnóstica, mas igualmente de gestão da saúde com o paciente;

  • Adotar modelo de gestão de riscos compartilhados.


A transformação digital foi outra pauta estratégica discutida. Para ofertar tratamentos personalizados e eficientes é preciso gerar dados precisos de forma segura e em tempo real. O rastreamento e monitoramento dos dados permitirá que serviços de saúde façam gestão da promoção da saúde, de grupos de riscos e da evolução de populações doentes e com isso se consiga identificar gargalos com gastos desnecessários e necessidades de maiores investimentos em saúde. Para tanto, é preciso investir em tecnologias como prontuário eletrônico centralizado e em Apps; Telemedicina, como por exemplo, diagnóstico por imagem; Big Data que centralize dados de pacientes e de populações; unificação de sistemas; e, fazer mudanças estruturais.


Os desafios da transformação digital devem se dar igualmente no front off, para melhorar a experiência do paciente. Na disputa pela entrega de serviços de valor as empresas que entregam as melhores experiências, podem deixar de serem empresas tradicionais, como laboratórios, por exemplo, para se tornarem plataformas de serviço, como a google®.


Contudo, a grande concentração de dados de saúde em bancos de dados coletivos, ganha uma atenção especial com a Lei nº 13.709 recém lançada. A lei protege o sigilo dos dados pessoais de quem autoriza o seu uso em bancos com informações coletivas. Mas chama a atenção para o fato que um indivíduo que tenha autorizado o uso de seus dados pessoais, pode a qualquer momento desautorizar o uso dos mesmos. A dificuldade estará em, após a análise e divulgação da informação, mediante a retirada da autorização, extrair os dados pessoais do banco de dados. A discussão está em como retirar os dados da pessoa dessas bases de dados cujo resultado já foi divulgado? O que nos diz que o consentimento não pode ser o único critério de autorização do uso das informações.


A medicina preditiva e a genômica foram igualmente destaque, com aplicação na indústria farmacêutica. É consenso que o Brasil está no estágio inicial de adoção dessas tendências, onde quem lidera o mercado é os USA.


A adoção da medicina preditiva e da genômica pelo setor de saúde esbarra em barreias culturais (formação, insegurança), mercadológicas, financeiras e a de falta de informação. No aspecto cultural destaca-se que a formação médica global não contempla a relevância da genômica como estratégia para melhorar a saúde a médio e longo prazo, pois ainda é cara comparada com os exames laboratoriais. A notícia boa é que a ciência está andando mais rápido do que o interesse das pessoas. Com isso as publicações científicas estão pressionando o uso das novas descobertas na área da saúde.


Quanto a questão mercadológica, o Brasil por questões estruturais ainda não pode se dar ao luxo de optar por tratamentos mais caros, assim, a alternativa é manter-se focado no mais barato. Aliado o mindset de cultura curativa de curto prazo, empurra o mercado para as opções de soluções atuais disponíveis. Uma possibilidade é repensar os modelos de negócios estabelecidos e oferecer para as pessoas a opção de comprarem seus testes genéticos em farmácias, pagando direto pelo seu tratamento. Outra opção é a Indústria comprar a ideia e bancar, a exemplo do que fez o centro europeu de treinamento de atletas que usa testes genéticos para direcionar as modalidades esportivas que os atletas irão praticar.


Quanto a redução de custo em medicina personalizada, segundo os especialistas o custo do mapeamento genético baixou cerca de 100 mil vezes desde que foi criado, mas a rentabilização do investimento ainda não se materializou para os investidores. No negócio do setor laboratorial, com a análise cada vez mais barata a pergunta é como transformar os resultados do avanço tecnológico em negócio rentável. Assim, transformar a informação gerada em solução de consultório para o paciente é uma questão ainda em evolução. Os especialistas são unânimes que é preciso fazer perguntas mais focadas para obter respostas mais simples e úteis, na perspectiva da medicina preditiva e da genômica. Simplicidade e pragmatismo devem contribuir e ser aliados da utilidade. Para investidores em tecnologia genômica é preciso ter resiliência para continuar investindo em produtos/serviços potenciais que exigem um tempo de maturidade longo para virar negócio, mas as perspectivas de retorno são positivas.


Fonte: Observatório FIESC e Healthcare Innovation Show (HIS)

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