Radar Econômico - Junho

Produção industrial

As restrições sanitárias utilizadas para amenizar o impacto econômico da pandemia da Covid-19 seguem afetando a atividade industrial em Santa Catarina. O isolamento social afetou diretamente os processos produtivos em diferentes unidades fabris.


No mês de maio de 2020, Santa Catarina registrou uma redução de 28,6% sobre a produção industrial, quando comparado com igual período do ano anterior. Em nível nacional, a produção da indústria da transformação registrou queda de 23,8%. Muito em função dos reflexos das medidas restritivas no início da pandemia, o avanço das flexibilizações e adequação da atividade industrial às restrições sanitárias fizeram com que o setor industrial registrasse melhora na atividade em maio, apesar da redução.


Os setores com maiores retrações em Santa Catarina foram metalurgia (-58,4%), veículos (-53,1%) e confecção de artigos do vestuário (-48,0%). Os três setores são dependentes da demanda interna, de maneira que sua trajetória de recuperação estará atrelada às políticas de estímulo à economia nacional.


O setor agroalimentar apresentou um dos melhores desempenhos em maio, apesar da retração de 4,8% na análise anual. Além de permanecer dentro dos setores essenciais, sem suspensão em suas atividades produtivas desde o início das medidas restritivas impostas pelo governo estadual, a demanda chinesa por carne suína mantém o nível de atividade nesse setor.


Os alimentos foram os principais responsáveis pela alta de 5,0% da inflação da indústria de transformação no mês de maio, quando comparado com igual período do ano anterior. O principal motivo é a desvalorização do real no período, que pressionou os preços na “porta das fábricas”. Para a indústria, além de outros fatores como, por exemplo, nível de atividade econômica, de um modo geral, a evolução dos preços possui certa similaridade à evolução cambial. O Índice de Preços ao Produtos – IPP, calculado pelo IBGE, procura medir o preço dos produtos na primeira etapa comercial, sem incluir os custos de frete e impostos.


Emprego industrial


A indústria geral fechou o mês com saldo de -10.957 postos de trabalho, ante -34.253 em abril. Esse resultado pode ser explicado, em parte, pelo avanço do uso da MP 936/2020 na manutenção do emprego e renda em Santa Catarina e por uma reavaliação das expectativas por parte dos industriais com redução do pessimismo sobre a atividade industrial.


O desempenho entre os setores industriais no mercado de trabalho, apresenta diferentes dinâmicas, tendo como principal influência as características de cada atividade. Por essa razão, observa-se uma disparidade entre o setor agroalimentar e têxtil e confecção, por exemplo.


A redução no nível de estoques de carne suína e soja na China, bem como a inserção do setor agroalimentar como atividade essencial, mantiveram as atividades industriais desse setor, refletindo em aumento de produção, massa salarial, vendas e número de empregados. Desse modo, o setor registrou expansão de 1.025 novos postos de trabalho no mês de maio de 2020.


O setor têxtil e confecção atualmente opera com baixa capacidade causada, em parte, pela diminuição nas vendas do varejo – apesar de utilizar mais o mercado virtual durante a pandemia. A expectativa é que com o avanço da flexibilização das medidas de distanciamento o setor recupere parte da perda de produção durante a pandemia. A redução nas exportações também impõe pressão negativa sobre a atividade setorial. Em Santa Catarina, o setor registrou o maior fechamento de postos de trabalho no mês de maio, registrando um saldo de -5.029.

A indústria catarinense sempre demonstrou resiliência em momentos de dificuldade, seja pela capacidade de ação de seus empresários, pelo estímulo à inovação ou pela elevada diversidade em seu parque fabril. Esse foi um dos principais fatores que impulsionou a geração de empregos industriais após a crise de 2015. Além disso, medidas preventivas do Governo Federal dão apoio à manutenção do emprego e renda. Em pesquisa primária realizada junto aos empresários catarinenses foi possível identificar o uso da MP 936/2020 na manutenção do emprego e renda. De acordo com os resultados da pesquisa, 34% das indústrias utilizaram a medida de suspensão temporária do contrato de trabalho e 35% utilizaram a redução proporcional de jornada de trabalho e salários. É importante destacar que a medida ainda possui margem de ampliação no estado.


Sondagem industrial

Os resultados da Sondagem Industrial de Santa Catarina mostram que, apesar de ainda sentir os impactos da pandemia do novo coronavírus, o setor mantém o movimento de reavaliação das expectativas, com redução do pessimismo para os indicadores após dois meses de retração acentuada. Todos os índices de perspectivas dos empresários apresentaram melhora em relação ao mês imediatamente anterior.


O índice de Utilização de Capacidade Instalada registrou uma melhora (+9 p.p.) frente o mês imediatamente anterior, registrando 59% de ocupação. Na análise anual, comparando com igual período do ano anterior, a indústria catarinense registrou retração de 16 pontos percentuais. Como o mês de abril compreendeu um período em que houve maior rigidez nas restrições sobre a atividade econômica, à medida que os industriais foram se adaptando as exigências sanitárias de combate a Covid-19, os processos produtivos foram destravando gradualmente, refletindo na melhora do indicador em maio.


A intenção de investimento, por exemplo, voltou a registrar um índice positivo em junho, sinalizando que há intenção de investir. A sondagem industrial registrou um índice de 50,1 pontos. O resultado, no entanto, ainda é o mais baixo para o mês desde 2016.


As demais expectativas em âmbito estadual mantiveram o cenário de melhora nos indicadores. Para a demanda, por exemplo, o índice atingiu 52,1 pontos, resultado que sinaliza otimismo, uma vez que o índice retornou para o nível acima dos 50 pontos. Em relação às perspectivas de compra de matéria-prima e geração de emprego, os industriais registraram um aumento de 15,6 e 11,6 pontos em relação ao mês imediatamente anterior, registrando 49,8 e 49,7 pontos, respectivamente. Já para o comércio exterior, os industriais demonstraram uma melhora de 14,1 pontos para o mesmo período de análise, alcançando 49,6 pontos.

O cenário demonstra uma revisão de expectativas por parte dos empresários industriais à medida que relaxamento das medidas restritivas vai ocorrendo. A manutenção das expectativas de redução do pessimismo, em certa medida, está acompanhando os demais indicadores operacionais que apontam o mês de abril como o de maior dificuldade. Entretanto, a melhora de cenário dependerá do avanço da pandemia no país.


Comércio Exterior

A redução na atividade econômica em Santa Catarina também pode ser observada pela evolução da balança comercial. Registrando um total de U$ 1.484 milhões movimentados, sendo U$ 602 milhões exportados e U$ 882 milhões importados, o estado registrou retração de 32,0% nas importações em junho, na análise anual. Esse desempenho demonstra uma redução no nível da atividade industrial em Santa Catarina, que é demandante de produtos industrializados. As exportações registraram uma redução um pouco inferior, de 19,7%, em parte pela demanda chinesa de carne suína – que registrou expansão de 29,5%.


Destaque para a retração na importação de cobre refinado, muito utilizado em indústrias como metalurgia; veículos; máquinas e aparelhos elétricos; e máquinas e equipamentos. Esses setores registraram retração na produção industrial no mês de maio, o que corroborou com redução das importações de cobre em junho. Na análise anual, a retração na importação foi de 51,4%.


Em contrapartida, houve aumento nas importações de produtos laminados e polímeros de etileno. Os produtos laminados possuem como destino as indústrias de metalurgia, alumínio e construção civil. Já polímeros de etileno são muito utilizados na produção de garrafas plásticas e embalagens, atividade que faz parte da cadeia produtiva de alimentos – setor com maior nível de atividade econômica durante a pandemia em Santa Catarina.


O desempenho das exportações só não foi menor em função da demanda chinesa por carne suína, mantendo o desempenho dos últimos meses de aquecimento no setor. Os estoques chineses continuam baixos para a demanda da população, o que deverá manter-se elevado as exportações ao longo de 2020. Além disso, um dos fatores que mantém a procura pelo produto catarinense é o elevado investimento em saúde animal e garantias da qualidade do produto, sendo reconhecida pela Organização Mundial de Saúde Animal.


Entretanto, as exportações de carne de aves demonstraram retração de 46,6%, na análise anual. Diferentemente da carne suína, o mercado de aves em Santa Catarina possui menor concentração entre os países compradores. Por essa razão, países que ainda estão com o avanço da pandemia ou tiveram suas economias impactadas pela redução do preço do petróleo, acabaram importando menos do estado. Esse cenário é observado em países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Hong Kong e Chile.


É importante destacar que o aumento da volatilidade no câmbio gera dificuldade por parte dos industriais em planejar a compra de produtos industrializados e insumos para suas produções. As desvalorizações cambiais recentes aumentam o custo do importador que, somados às incertezas quanto ao avanço da pandemia, afetam a previsibilidade de geração de receitas, insumos e estoques.


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