Radar Econômico - Julho

Emprego industrial

A atividade industrial em Santa Catarina registrou abertura de vagas no saldo de empregos para o mês de junho. Trata-se de um resultado importante, uma vez que corrobora com outros indicadores industriais, indicando que o mês de abril tenha sido o de maior dificuldade para a indústria catarinense. Considerando o primeiro semestre de 2020, entretanto, o setor registra fechamento de 11.951 postos de trabalho no saldo de empregos industriais. O resultado no saldo acumulado do ano indica que o impacto da pandemia deverá perdurar no mercado de trabalho, sendo amenizado à medida que a atividade econômica se recupere.

O setor agroalimentar manteve o resultado positivo do mês anterior em junho, registrando um saldo de 1.892 novos postos de trabalho. Esse comportamento pode ser explicado pelo aumento na atividade industrial dos setores de abate de aves e dos frigoríficos, responsáveis por 1.874 novas vagas. Em relação ao setor de móveis e madeira, foi registrado um saldo positivo pela primeira vez desde o início da pandemia em Santa Catarina. Com 912 novas vagas criadas, o setor obteve grande participação da atividade industrial de fabricação de móveis, que registrou saldo de 421 novas vagas em junho.


O setor têxtil e confecção continua apresentando maior dificuldade no mercado de trabalho, registrando os menores saldos. Em junho, foram fechadas 1.318 vagas, influenciadas principalmente pelas atividades de confecção de peças do vestuário. Não obstante, os dados de faturamento mostram que o setor têxtil e confecções apresentou o maior crescimento em junho. Essa combinação de saldo negativo de emprego com crescimento do faturamento aponta que estoques estão sendo vendidos e que muitas empresas do setor estão em processo de recuperação, acompanhando o restante da indústria de Santa Catarina.


Indústria nacional

A indústria geral no Brasil durante o mês de junho registrou saldo de 13.725 novos postos de trabalho. O estado de Santa Catarina registrou o sexto maior saldo, demonstrando que, apesar de ter sido um dos primeiros a sentir os efeitos da pandemia, como reflexo do aumento das medidas restritivas, mostra que poderá ser um dos principais estados na criação de novas vagas de emprego no decorrer do ano.


Essa expectativa está relacionada ao período de adaptação e readequação dos processos produtivos frente às exigências sanitárias iniciadas entre o final de março e início do mês de abril em Santa Catarina. Em pesquisa primária realizada pela FIESC, em parceria com SEBRAE e FECOMÉRCIO, foi identificado que 32% das indústrias realizaram algum tipo de readaptação em seus parques fabris, procurando se prepararem para a retomada em suas atividades industriais de maneira mais segura e assertiva.


Entre os setores industrias que mais registraram abertura de novas vagas em nível nacional, destaque para a construção civil com 17.270 novos postos de trabalho no mês de junho. Esse setor poderá se beneficiar com as reduções nas taxas de juros, possibilitando maior acesso ao crédito para realizar novos investimentos, bem como na demanda através melhores formas de financiamentos por parte da população. Destaque também para os setores agroalimentar e de equipamentos elétricos, responsáveis pela geração de 11.244 e 2.984 novas vagas, respectivamente.


Sondagem industrial

A Sondagem Industrial no mês de junho identificou melhora das expectativas dos industriais, mantendo a revisão de perspectivas futuras à medida que avançamos no período da pandemia. O mês de abril mantém-se como o de maior dificuldade para o setor industrial catarinense, por se tratar de um período de readequações na atividade industrial para uma retomada mais segura dentro das unidades fabris.

Desse modo, é possível observar expansão no volume de produção em relação ao mês anterior, em parte, apoiado nas readequações às restrições sanitárias e ao retorno das empresas às suas atividades. Além disso, aumento na utilização da capacidade instalada desde o mês de abril, bem como no quadro de funcionários do setor industrial. Em nível nacional, a atividade industrial também dá sinais de recuperação com aumento na produção, frente ao mês imediatamente anterior, enquanto a ociosidade mantém trajetória de queda.

As perspectivas dos empresários catarinenses para os próximos seis meses passaram a ser de maior otimismo. A intenção de investimento alcançou 59,5 pontos, registrando aumento de 23,1 pontos desde o mês de abril. Além disso, quando comparado com o igual período do ano anterior, o mês de junho de 2020 apresenta aumento de 4,2 pontos.


O índice de Utilização da Capacidade Instalada continuou em trajetória ascendente no mês de junho, quando comparado com o início dos reflexos econômicos causados pela evolução da pandemia da Covid-19. As indústrias catarinenses alcançaram 69% de utilização de seus fatores de produção. Entretanto, ainda registra resultado inferior ao registrado nos dois primeiros meses do ano. Na comparação com o mês anterior observa-se aumento de 10,0 pontos percentuais, representando aumento de 16,9% no indicador.

A melhora na produção ocorrida após a readequação das indústrias às restrições sanitárias, também pode ser observada na comparação com o mesmo mês do ano anterior, registrando queda de 2,0 pontos percentuais em relação a junho de 2019. A média da utilização da capacidade instalada para o mês de junho, entre os anos de 2013 e 2020 é de 71%, demonstrando que o setor industrial já registra valores próximos à média para esse indicador.

Com a retomada às atividades industriais, diferentes setores em Santa Catarina apresentaram melhora nas expectativas para os próximos seis meses. O cenário demonstra uma perspectiva positiva para o segundo semestre, atrelada, principalmente, às readequações produtivas, flexibilização nas medidas restritivas ocorridas no início da pandemia no estado e resiliência do empresário industrial em buscar alternativas frente à crise econômica.

Em junho foi registrado aumento no índice de expectativas do número de empregados, registrando 55,1 pontos. Esse indicador vem em linha com o resultado da pesquisa realizada pela FIESC, em parceria com SEBRAE e FECOMÉRCIO, no qual indicou redução no número de empresas que tiveram seu quadro de funcionários reduzidos durante a pandemia.


Em relação às operações industriais, foi registrado aumento nas expectativas de compra de matéria prima e nas vendas externas, indicando perspectivas de expansão na produção industrial para o segundo semestre de 2020.


Índice de Confiança do Empresário Industrial

O índice de confiança do empresário catarinense aumentou, atingindo 51,1 pontos no mês de julho, ultrapassando a marca de 50 e sinalizando otimismo dos industriais pela primeira vez desde março desse ano. A tendência de melhora também é observada em âmbito nacional. Ainda que apresentando pessimismo, o indicador apresentou a terceira melhora consecutiva para o país, com 47,6 pontos. A confiança do empresário na indústria de transformação catarinense chegou a 52,9 pontos, resultado que indica otimismo, após os meses de maior pessimismo entre abril e maio, que acabou refletindo os indicadores da economia real como, por exemplo, emprego e produção.

Produção industrial

A produção industrial de Santa Catarina segue demonstrando melhora, apesar de ainda sentir os impactos econômicos causados pela pandemia da Covid-19. No mês de junho, a indústria geral registrou queda de -12,6% quando comparado ao igual mês do ano anterior. Em nível nacional, a queda registrada foi de - 9,0%. Na comparação com resultados anteriores, o mês de junho demonstrou menor recuo registrado na análise interanual desde abril, quando foi observado retração de -30,8%, e maio, com -28,7%.

Em relação à indústria de transformação, a queda em Santa Catarina se mantém em -12,6%, quando comparado com o mesmo período do ano anterior. Em contrapartida, registra pelo segundo mês consecutivo expansão na produção industrial quando comparado com o mês imediatamente anterior. Em relação ao mês de maio, a produção industrial da indústria de transformação registrou expansão de 9,1%.


Essa tendência da atividade industrial, especificamente da indústria de transformação, aponta que o mês de abril se caracteriza pelo período de maior dificuldade do setor no estado. Desde que as medidas preventivas adotadas pelos empresários industriais, com mudanças nos processos produtivos tendo em vista às determinações sanitárias, a atividade industrial demonstra capacidade para retomar suas atividades de uma maneira mais assertiva. Entretanto, o impacto da pandemia sobre a atividade industrial deverá ser sentido por mais tempo, demonstrando que a recuperação será gradual.

O resultado obtido no acumulado do ano para o mês de junho é marginalmente superior ao resultado de maio. A produção industrial apresenta retração de -15,0% entre janeiro e junho de 2020; ante retração de -15,5% entre janeiro e maio do mesmo ano. Esse resultado corrobora com uma recuperação gradual para a atividade industrial, podendo ser potencializada por investimentos em infraestrutura e logística, políticas de estímulo à reindustrialização e ao fortalecimento da indústria, além da atração de capital e desenvolvimento de um pacto social e institucional.

Entre os setores que registraram expansão na produção industrial em junho, quando comparado ao igual período do ano anterior, o destaque é do segmento de máquinas, aparelhos e materiais elétricos que registraram expansão de 7,6%. Já o setor de produtos alimentícios registra crescimento de 5,0% em junho, estimulados principalmente pelos frigoríficos. Por sua vez, o setor de borracha e material plástico registra alta de 3,4%.

O setor têxtil merece destaque pelo desempenho observado em junho, apesar da queda de -2,3%. O setor foi um dos mais afetados pelos impactos da pandemia sobre a atividade econômica, registrando quedas de - 19,7%, em março; -48,6%, em maio; e -30,7%, em maio; todos em comparação com igual mês do ano anterior. A melhora na produção industrial nesse segmento está atrelada ao aumento das vendas, observadas no mês de maio e junho – de acordo com os dados da Secretaria da Fazenda de Santa Catarina. Em contrapartida, o setor de vestuário e acessórios mantém forte queda na produção no mês de junho, retraindo -38,5%.


Os setores de veículos automotores e metalurgia apresentam as maiores retrações na produção industrial no mês de junho, com variações de -48,0% e -44,9% na análise interanual. A indústria automotiva pode manter o nível de atividade industrial relativamente reduzido em função do aumento dos estoques de veículos, dado a redução no consumo. Simultaneamente, o setor de metalurgia mantém o cenário de reduções na produção industrial, registrando queda de -48,0% em junho, na análise interanual.


Exportações

O montante de exportações catarinenses no mês de julho foi de U$ 724 milhões, uma retração de 9,2% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O estado permanece sendo o principal exportador de carne suína do país, representando 51,6% do total exportado no Brasil em 2020. Esse resultado pode ser explicado pelo aumento da demanda pelo produto por parte do mercado asiático, que passou por uma queda brusca em seu rebanho suíno em 2019, e pelo elevado grau de investimento em saúde animal e garantias da qualidade do produto em Santa Catarina, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Países como China, Hong Kong e Japão apresentaram aumento significativo no volume de importações do mercado catarinense, em relação ao ano anterior. Os Estados Unidos também apresentaram aumento no volume de compra do produto, também com escassez no rebanho motivada pelos impactos da epidemia do novo coronavírus no setor produtivo que atende à demanda interna do país.

O nível de exportação de carne de aves apresentou queda de 38,6% em relação ao último resultado. Isso se deve, em parte, pela retomada do mercado em outros estados, que haviam sofrido embargos no primeiro semestre do ano passado e tiveram o espaço ocupado por Santa Catarina. Os volumes de exportação de soja e tabaco, por sua vez, apresentaram aumento frente a julho do ano passado, caracterizado principalmente por questões sazonais relacionadas a clima e produtividade.

A China segue como principal parceiro comercial do estado, com o volume de exportações crescendo 21,8% frente a julho de 2019. Um destaque positivo foi o dos Países Baixos, cujo crescimento foi de 62,8% no período, puxado pelo aumento na demanda por derivados de carne.

Importações

As importações do estado movimentaram U$ 1.068 milhões em julho, resultando em retração de 13,9% no comparativo do acumulado do ano em relação a 2019. O baixo desempenho é reflexo da redução na atividade industrial no estado, impactado principalmente pelos reflexos negativos da pandemia sobre a atividade econômica. Em nível nacional, o montante foi de U$ 11,5 bilhões julho, e representou redução de 10,5% na comparação do acumulado do ano.

O principal produto importado no mês de julho foram os fertilizantes, insumo utilizado na produção de produtos como soja e tabaco, que tiveram destaque nas exportações. Apesar disso, na comparação mensal, o volume importado foi 19,5% menor que o registrado em julho passado. Cabe ressaltar que as importações para esse tipo de produto seguem o calendário agrícola, isto é, o ciclo de plantio de diferentes culturas.

Produtos relacionados a área da saúde apresentaram aumento no montante de importações. A importação de luvas de borracha apresentou variação positiva em relação a julho de 2019 (152,3%), explicada em parte pelo aumento da demanda interna, causada pelos impactos da pandemia.

O cobre, utilizado em setores como metalurgia, veículos e máquinas e aparelhos elétricos, registrou queda de 46,4%. Em contrapartida, houve aumento nas importações de produtos laminados, que possuem como destino as indústrias de metalurgia, alumínio e construção civil, onde as expectativas e condições para o setor apresentaram melhora segundo o Índice de confiança do empresário industrial (ICEI).

A compra de produtos junto aos principais parceiros registrou retração de forma geral no mês de julho, na comparação com igual período do ano anterior. A China, principal parceira comercial, teve queda de 13,7% em relação a 2019; seguida pela Argentina com redução de 44,2%. Em alguns casos pontuais observou-se crescimento do volume de importações em países como Malásia, devido ao alto volume de importações de luvas de borracha, visando atendimento da demanda interna, e Portugal, origem de grande parte da demanda ascendente por azeite de oliva e vinhos.


É importante destacar que o aumento da volatilidade no câmbio gera dificuldade por parte dos industriais em planejar a compra de produtos industrializados e insumos para suas produções. As desvalorizações cambiais recentes aumentam o custo do importador que, somados às incertezas quanto ao avanço da pandemia, afetam a previsibilidade de geração de receitas, insumos e estoques.


O relatório pode ser baixado na íntegra no formato PDF através do link a seguir:

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