Precisaremos de 108 anos para eliminar a diferença global entre gêneros no mundo


A Quarta Revolução Industrial traz oportunidades sem precedentes, mas impõe desafios no campo das competências humanas. O aproveitamento máximo das novas tecnologias estará atrelado ao que nos torna humanos como a capacidade de aprender novas habilidades, a criatividade e a empatia.


Assim, a contribuição de mulheres e homens nesse processo de transformação econômica e social é imprescindível. E não podemos nos dar ao luxo de perdermos as contribuições de metade da humanidade, no caso, profissionais do sexo feminino, para conquistar um futuro mais próspero e centrado nas contribuições humanas à tecnologia e ao processo de inovação.


O Índice Global de Desigualdade de Gênero, publicado desde 2006, pelo Fórum Econômico Mundial, avalia 149 países e busca analisar o progresso obtido na igualdade de gênero. Para tanto, avalia quatro dimensões temáticas, Oportunidade Econômica, Empoderamento Político, Nível Educacional, de Saúde e de Sobrevivência, numa escala de 0 (disparidade) a 1 (paridade). Os rankings são projetados para criar uma consciência global dos desafios colocados pelas diferenças de gênero e as oportunidades criadas para a redução deles.


Os resultados mostram que ainda temos muito para evoluir na questão de gêneros, mas que pequenas mudanças vêm acontecendo em algumas dimensões e em alguns países.

O relatório de 2018 destaca que globalmente, a distância média entre homens e mulheres (ponderada pela população) é de 68%, mostrando uma melhoria marginal em relação ao ano passado.


A maior disparidade de gênero está na dimensão Empoderamento Político, que hoje mantém uma lacuna de 77,1%. A lacuna entre Participação Econômica e Oportunidade vem a seguir com 41,9%, enquanto os níveis de Satisfação Educacional e Saúde e Sobrevivência são significativamente menores, 4,4% e 4,6%. Sendo que apenas a lacuna entre Participação Econômica e Oportunidade diminuiu ligeiramente desde o ano passado.

Quando se trata de liderança política e econômica, o mundo ainda tem um longo caminho a percorrer. Apenas 17 dos 149 países avaliados têm atualmente mulheres como chefes de estado.


Embora o progresso médio na paridade de gênero na Educação esteja avançando mais que em outros aspectos, ainda existem 44 países onde mais de 20% das mulheres são analfabetas. Em média, 65% das meninas e 66% dos meninos se matricularam no ensino médio mundialmente, e apenas 39% das mulheres e 34% dos homens estão em faculdades ou universidades. Este fato exige metas mais ambiciosas para desenvolver mais o capital humano - tanto para mulheres quanto para homens.


Com as rápidas mudanças em curso no mercado de trabalho, a análise do relatório deste ano também analisou as diferenças de gênero atuando no campo da Inteligência Artificial (IA). Com base nos registros do Linkedin, foi possível avaliar as habilidades críticas para o trabalho do futuro, e identificar que apenas 22% dos profissionais de IA mundialmente são do sexo feminino, em comparação com 78% do sexo masculino.


O que representa uma diferença entre os gêneros de 72%, que se manteve constante nos últimos anos e não indica uma tendência positiva para o futuro. As implicações desse achado são amplas e requerem ação urgente. Primeiro, as lacunas de gênero em habilidades de IA podem exacerbar as lacunas de gênero na participação econômica e nas oportunidades no futuro, à medida que a IA engloba um conjunto de habilidades cada vez mais demandado. Em segundo lugar, a lacuna de gênero em habilidades de IA implica que o uso dessa tecnologia de propósito geral em muitos campos está sendo desenvolvida sem a diversidade de talentos, limitando sua capacidade inovadora e inclusiva. Terceiro, a baixa integração de mulheres em grupos de talentos de IA - mesmo em indústrias e regiões onde a base de profissionais de tecnologia da informação possui uma composição relativamente alta de mulheres - indica uma perda significativa de oportunidade em um domínio profissional onde já há oferta insuficiente de mão de obra adequadamente qualificada.


A projeção das tendências atuais para o futuro, aponta que a diferença global entre os gêneros será eliminada em 108 anos nos 106 países cobertos desde a primeira edição do relatório. As lacunas de gênero mais desafiadoras a serem eliminadas são nas dimensões Econômicas e de Empoderamento Político, que levarão 202 e 107 anos para fechar, respectivamente. Embora a lacuna de Oportunidade Econômica tenha diminuído ligeiramente este ano, o progresso tem sido lento, especialmente em termos de participação de mulheres na força de trabalho. Em termos de Empoderamento Político, o progresso alcançado na última década começou a se reverter. Notavelmente, a paridade entre os gêneros nos países ocidentais foi levemente reduzida, enquanto o progresso está em andamento, em média, em outros lugares. A lacuna de gênero específica para a Educação está a caminho de ser reduzida à paridade nos próximos 14 anos. A diferença de gênero em Saúde está quase nula em todo o mundo e inexistente em um terço dos países avaliados.


O país com maior igualdade de gênero até o momento é a Islândia. Reduzindo mais de 85% da diferença geral de gênero. A Islândia é seguida pela Noruega (83,5%), Suécia e Finlândia (82,2%). Embora dominados por países nórdicos, entre os dez primeiros classificados estão países latino-americano (5º Nicarágua), da África Subsaariana (6º Ruanda, e 10º Namíbia) e da Ásia Oriental (8º Filipinas). O top 10 é completado pela Nova Zelândia (7ª) e Irlanda (9ª).


O Brasil caiu cinco colocações e recuou para a 95º posição neste relatório. O país manteve a lacuna entre homens e mulheres no maior nível desde 2011. No ranking geral, o Brasil aparece com 0,681 pontos na escala. O maior responsável pela piora no ranking na comparação anual foi o subíndice de oportunidade econômica – o país despencou nove posições, do 83º lugar para 92º. Esse indicador inclui participação na força de trabalho e igualdade salarial para trabalhos semelhantes, item em que o país ficou na 132º colocação – estava na 119º um ano antes. Também houve recuo em empoderamento político, subíndice no qual Brasil caiu de 110º para 112º posição. O país aparece na 139º posição quando a questão é mulheres ocupando posições ministeriais e na 126º no que diz respeito à presença feminina no Congresso – estava na 121º em 2017. No entanto, de maneira positiva, ao lado de Bahamas e Colômbia, o Brasil foi um dos três países que fechou a lacuna de gênero no nível educacional e saúde e sobrevivência.


Todas as oito regiões geográficas avaliadas no relatório alcançaram pelo menos 60% de paridade de gênero, e duas progrediram acima de 70%. A Europa Ocidental é, em média, a região com o maior nível de paridade de gênero (75,8%). A América do Norte (72,5%) é a segunda e a América Latina (70,8%) é a terceira.


Da mesma forma, se as taxas atuais fossem mantidas no futuro, a diferença global de gênero se encerraria em 61 anos na Europa Ocidental, 70 anos no Sul da Ásia, 74 anos na América Latina e no Caribe, 135 anos na África Subsaariana, 124 anos na Europa Oriental e Ásia Central, 153 anos no Oriente Médio e Norte da África, 171 anos na Ásia Oriental e no Pacífico, e 165 anos na América do Norte. Embora essas estimativas reflitam o ritmo observado até o momento para atingir a igualdade de gênero, os formuladores de políticas e outras partes interessadas podem acelerar esse processo e devem tomar medidas mais fortes nos próximos anos. Há um forte imperativo para fazê-lo, em termos de justiça e maior igualdade social, bem como os retornos econômicos de uma base mais ampla de capital humano diverso.


Time Observatório FIESC:

Angélia Berndt

Camilie Pacheco Schmoelz

Danielle Biazzi Leal


Fonte: World Economic Forum. Committed to Improving the State of the World. The Global Gender Gap Report 2018.


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