Panorama do Comércio Exterior 2018

O último ano era pra ser o ano da sólida recuperação econômica brasileira e as expectativas mais otimistas para o PIB chegavam a 3% de crescimento. Ao longo dos meses, contudo, os reveses econômicos e políticos cercearam esta expectativa, que acabou por volta de 1% no final de 2018. Ainda assim, alguns indicadores se destacaram pelo bom desempenho no último ano, como é o caso do comércio exterior, que deixou para as contas nacionais um saldo comercial positivo de 58 bilhões de dólares.


Commodities ditam o crescimento das vendas nacionais


Tanto as importações como as exportações tiveram taxas bem superiores às do ano anterior, mostrando crescimento de 10% nas exportações e 20% nas importações. Isto mostra que o setor produtivo brasileiro não só foi mais eficaz no acesso a mercados estrangeiros, como também investiu mais em máquinas e insumos para produção local.


Para o Brasil, a China se apresentou como o principal parceiro comercial brasileiro, crescendo em 35% o valor das vendas para os asiáticos e em 27% o total das compras. Entre os produtos, destacaram-se a nível nacional as vendas de commodities como a Soja (29%) e óleos brutos de petróleo (51%), os quais formam os dois principais produtos vendidos pelo Brasil no ano.


Em função dessa ascensão das vendas de petróleo nacional, destacaram-se no crescimento das exportações dos estados do Rio de Janeiro (37%) e Espírito Santo (9,6%). Já em função do crescimento das vendas de soja, houve crescimento dos estados de Mato Grosso do Sul (19%), Mato Grosso (9,8%), Rio Grande do Sul (18,2%), Paraná (10,9%) e Bahia (9,8%).





Mudança no quadro de exportadores catarinenses


Em Santa Catarina, as vendas de soja cresceram 31,5% e também influenciaram positivamente as contas externas catarinenses, que totalizaram o ano com crescimento de 5,2%. Cabe ressaltar que este desempenho do setor agrícola alterou o quadro de municípios mais exportadores do estado.


Historicamente, este panorama era liderado por Itajaí e Joinville, que conduziam as vendas de produtos alimentícios e industriais. Já em 2018, as vendas passaram a ser lideradas por Gaspar, um município com menos de 70 mil habitantes e que tem o PIB composto principalmente atividades industriais (41%) e do setor de serviços (43%). Ainda assim, pelo fato de sediar grande empresa de grãos e alimentos industrializados, o município foi o domicílio fiscal de 85% da soja exportada pelo estado. Por conta disso, o total das vendas estrangeiras do município de Gaspar, que totalizaram US$ 37 milhões em 2017, passaram para US$ 4,4 bilhões em 2018.



Setores de destaque e embargos das Carnes


Além do grão, o setor agropecuário também mostrou evolução considerável nas exportações de arroz (1.000%), mel (31%) e banana (27%), enquanto que as vendas de tabaco, produto com 25% de participação das vendas do setor, apresentou queda de 7%.

No setor da saúde, apesar de ainda não representar grande fatia das exportações, houve crescimento significativo em instrumentos médicos (15%) e outros fármacos (52%), além da evolução de medicamentos embalados e de aparelhos respiratórios. Outro setor com destaque foi o de móveis e madeira, que foi puxado pelo crescimento de madeira serrada, madeira compensada e móveis.


Na atividade de produção de alimentos, ganha destaque a exportação de carnes de aves, principal produto exportador do estado, que mostrou avanço de 5,5% em um ano de embargos das vendas para a União Europeia. Este desempenho está associado ao crescimento das exportações para mercados emergentes, como a Arábia Saudita, Emirados Árabes, México e Iraque.


Outro produto que teve fortes restrições em suas vendas em função dos embargos é a carne suína. Cerca de 45% das vendas catarinenses deste produto eram direcionados para a Rússia, que deixou de importar do estado desde dezembro de 2017. Com isso, as exportações de carne suína cresceram 170% para a China, além de também elevar as vendas para Chile, Hong Kong e Argentina, mas ainda assim fechou o ano com queda de 4,3% em relação ao total exportado em 2017.



Expansão das relações comerciais chinesas


Tal como ocorreu com as carnes, a China se apresentou como um importante parceiro comercial de Santa Catarina no ano de 2018. No caso dos produtos do setor agropecuário, 61% das exportações catarinense foram direcionadas à China, que passou a ser o principal comprador de produtos do estado, ultrapassando a histórica hegemonia dos Estados Unidos da América, que era o líder das vendas desde 1997.


Na animação abaixo é possível acompanhar os dez principais parceiros comerciais de Santa Catarine desde o início da série histórica. Até o ano de 2010, a China ainda não aparecia neste ranking dos destinos das nossas exportações, alcançando a segunda posição a partir da 2013.



Além desta maior representação nos destinos de nossos produtos, a China também é o maior parceiro comercial catarinense nas importações, representando cerca de um terço das compras do estado. Diferentemente do caso acima, em que há preponderância dos setores agrícolas e da indústria alimentícia, as compras vindas dos asiáticos são diversificadas nos setores Químico, Têxtil, Energia, Metalmecânico, Bens de Capital e TIC.



Santa Catarina como a porta de entrada do Brasil


Ao lado das exportações, destaca-se também que Santa Catarina como o terceiro maior estado importador do Brasil. Considerando as dez unidades de maior peso nas compras externas, o desempenho catarinense ficou atrás apenas do Rio de Janeiro, que teve um aumento de mais de 100% das importações em função da compra de plataformas de perfuração de petróleo, e de Minas Gerais, que aumentou em mais de 500% a aquisição de veículos.


No total, o valor das compras catarinenses somaram US$ 15,4 bilhões, com um crescimento de 22,9%. Isto evidencia a localização estratégica do estado e a sua competitividade tarifária e portuária para importação de produtos a outros estados do Brasil.


Os maiores crescimentos das importações catarinenses estiveram concentrados nos setores de Veículos, Metalmecânica, Bens de Capital e Produtos Químicos. Neste último setor, destaca-se o avanço de 74% de fertilizantes nitrogenados, enquanto que na metalmecânica, setor que sinaliza o retorno da produção industrial, houve crescimento de cobre refinado (10%), revestimento de ferro laminado (54%), alumínio em forma bruta (75%) e revestimento de alumínio (125%).


Outra atividade importante na definição da produção industrial é a de bens de capital, em que houve aumento na compra de máquinas de processamento de metais em mais de 1000%, chegando a ser o sexto produto mais importado, máquinas para trabalhar borracha ou plástico, ferramentas pneumáticas e máquinas para processamento de metais também evoluíram consideravelmente.


Por último, destacam-se os casos de crescimento de cerca de 300% na aquisição de veículos, 40% de carrocerias, 31% de partes de motor, 42% de bicicletas e 290% de motos. Esta ampliação da aquisição de veículos se deve à adaptação ao sistema roll on roll off do Porto de Itajaí, que facilitou a entrada deste produto em solo catarinense. A vinda destes veículos ocorreu principalmente da Argentina e México.


Time do Observatório:

Carolina Custodio

Edilene Cavalcanti dos Anjos

Henrique Reichert

Viviane Cirio

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