O que vamos comer no futuro?


Quando a gastronomia molecular surgiu, na segunda metade da década de 90, pela mão de dois pesquisadores, e não de chefs de cozinha, pensamos que a cozinha nunca mais seria a mesma. A ordem era desconstruir e reconstruir, redefinindo o que era comida. O objetivo era entender os processos físico-químicos que ocorriam no ato de cozinhar e como isso podia ser melhorado. Ou seja, trazer ciência para a mesa de jantar. O futuro passou a ser visto como uma complexidade de texturas, cores e sabores nunca antes imaginados, não encontrados na natureza nem na mesa do dia a dia.


A inovação tem muito a fazer pela produção de alimentos, seja ela tecnológica ou não. Precisamos desenvolver formas sustentáveis de produzir mantimentos para uma população mundial que ultrapassará 8 bilhões de pessoas em 2030. Urge que o sistema econômico global dê conta do desafio que é ter metade da população atual vivendo abaixo da linha da pobreza e sem acesso à nutrição adequada. É imperativo diminuir a marca de 30% dos alimentos desperdiçados no mundo. E é nesse cenário que surge o uso da inteligência artificial para mudar a forma como estruturamos a produção e acessamos os alimentos. Não à toa, algumas das startups mais inovadoras do planeta estão nesse setor e, só em 2016, 275 negócios de compra de empresas de tecnologia em alimentação movimentaram US$ 5,7 bilhões em todo o mundo.


O que o futuro nos reserva à mesa? De acordo com especialistas da consultoria EY, aqui estão algumas das tendências disruptivas para a alimentação.


Comida Líquida: Isso não é mais coisa só de bebês. Empresas como a Soylent e a Ample estão criando bebidas que substituem refeições, misturando ingredientes como algas modificadas por bioengenharia e inulina de alcachofra. Pode-se questionar o tédio de só se consumir bebidas, mas os nutricionistas ainda não apontaram qualquer defeito nos benefícios para a saúde desses drinques, aprovados pela rigorosa vigilância americana, a FDA (Food & Drug Administration).


Impressão 3D: Camada por camada, qualquer coisa que possa ser transformada em líquido e depois sobreposta pode se tornar uma refeição saída de uma impressora 3D. O processo ainda é demorado, especialmente se uma refrigeração for necessária. Além disso, é preciso criar um cartucho para cada grupo alimentício, o que aumenta o custo e a complexidade. Mas, embora a comida impressa em 3D exista ainda somente em restaurantes caros, a tendência deve chegar ao mercado mais acessível.


Insetos: Baratos, nutritivos e abundantes. São as qualidades mais desejadas em qualquer item alimentício e os insetos as atendem com louvor. A fabricante Exo lançou recentemente uma linha de barrinhas feita de farinha de grilos. A farinha contém 60% de proteína, mais cálcio que leite e aminoácidos essenciais, mas é sem glúten e sem lactose. São necessários 378 litros de água para produzir 72 gramas de grilos contra 6 gramas de carne. Gafanhotos também estão no cardápio, assim como larvas de mosquitos de frutas. Mais de um terço da população do planeta já consome insetos – resta torná-los mais atrativos para o restante dos paladares.


On-Demand: Experiências alimentares podem ser personalizadas a partir da tecnologia para gostos muito específicos. Algoritmos estão sendo usados para rastrear a demanda por determinado produto para ajustar o preço. Novos aplicativos conhecem o paladar dos consumidores de uma forma parecida com o que faz o Spotify com a música. Até as máquinas de guloseimas em escritórios estão se adaptando e passaram a oferecer sushi em vez de só salgadinhos e chocolates.


Fontes: Valor Econômico; Gazeta ZH.

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