O que explica as quedas na projeção do PIB? Qual o cenário para Santa Catarina?

O boletim de Informe Conjuntural da CNI, divulgado nesta quinta-feira (dia 11), reduz a projeção de crescimento do PIB brasileiro de 2019 para 2%. Além da Confederação Nacional da Indústria, o Fundo Monetário Internacional (FMI) também reduziu sua projeção para a economia brasileira, para 2,1%.


Estas quedas seguem as revisões já feitas pelo Banco Central do Brasil, pelo Ministério da Economia e pelas principais instituições financeiras, resumidas no Relatório Focus. Neste último caso, é a sexta semana consecutiva de redução da projeção de crescimento da economia, passando de cerca de 2,5%, no início de março, para menos de 2%, atualmente.


Fonte: Projeções Focus, Banco Central.

Após níveis elevados dos índices de confiança dos empresários e dos consumidores, no final do ano anterior, as baixas nas projeções refletem o desaquecimento econômico dos setores produtivos neste início de 2019. Comparando as taxas de crescimento acumuladas em 12 meses, o caso de maior destaque acaba sendo a produção industrial, que chegou a acumular uma variação de 3,9% em abril do ano passado, mas agora apresenta crescimento de apenas 0,5%. As vendas do comércio apresentam comportamento similar, apesar de manter taxa de crescimento mais elevada, de 4,9%.


Fonte: IBGE e Observatório FIESC.

Por conta desta diferença de grau entre o comércio e a produção industrial, a CNI alerta que, mais uma vez, a economia brasileira tem pautado seu crescimento econômico a partir do consumo das famílias, sem que haja um acompanhamento do volume de produção da indústria doméstica. Este fenômeno é consequência da falta de competitividade do ambiente de negócios nacional frente a países que não padecem das mesmas dificuldades tributárias, logísticas e burocráticas.


Quem ainda mantém boas perspectivas no cenário nacional é o setor de serviços, que tardou mais a encontrar taxas positivas, mas que consegue apresentar desempenho superior ao ano anterior, alcançando em janeiro de 2019 a primeira variação positiva desde a recessão econômica.


E como está Santa Catarina neste cenário?


O quadro catarinense tem se diferenciado no nacional nos últimos anos, quando apresentou taxas mais agressivas de recuperação econômica que as nacionais. No índice de atividade econômica, por exemplo, o Brasil ainda mantém certa distância do valor encontrado em janeiro de 2014, enquanto que Santa Catarina praticamente conseguiu se recuperar da queda.


Fonte: Banco Central e Observatório FIESC.

Ainda assim, a capacidade de recuperação da economia catarinense também teve mais força no ano de 2017. Avaliando as taxas de crescimento acumuladas em 12 meses nos diferentes setores, tal como o gráfico acima, o desempenho catarinense apresenta movimentos de desaquecimento dos setores de maneira similar ao caso nacional, ainda que em taxas superiores às brasileiras.


Novamente, os setores do comércio e da indústria são os que apresentam maiores mudanças na trajetória de suas curvas, passando de um cenário de melhorias nas taxas de crescimento até o início de 2018 para um quadro de redução das suas velocidades de recuperação.


Fonte: IBGE e Observatório FIESC.

Em cenários de recessão econômica, é natural que a taxa de crescimento seja maior no curto prazo, estabilizando-se no decorrer dos meses, tal como ocorreu em 2010, onde o PIB brasileiro cresceu 7,5%. Por outro lado, no quadro recente da economia brasileira, não houve recuperação significativa da atividade econômica e as expectativas do mercado e agentes públicos indicavam que o crescimento econômico ocorreria gradualmente e à medida que fossem encontradas soluções para a grave situação fiscal das contas públicas.


Portanto, a lentidão da economia atual reside justamente no fato de estas soluções terem se apresentado mais complexas e demoradas que o imaginado, o que exige maior tempo de tramitação legislativa e causa maiores dificuldades para o quadro fiscal do governo. Somado a isto, os tímidos avanços nas melhorias estruturais criam dificuldades à capacidade de competição do setor produtivo local, o que reduz os investimentos privados e faz com que a produção industrial doméstica não consiga acompanhar o crescimento do consumo.

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