O impacto dos custos com afastamentos na indústria

A preocupação com a sustentabilidade financeira e, concomitantemente, com o bem-estar humano, faz da saúde um tema estratégico às organizações públicas e privadas, que buscam soluções viáveis para a demanda global de lidar com os elevados custos com a saúde. A previsão do Instituto Coalizão e McKinsey & Company (2016) é que os gastos com saúde representem cerca de 20 a 25% do PIB brasileiro em 2030.

Inserida em um contexto de incertezas políticas e econômicas, a indústria nacional enfrenta o desafio da gestão dos gastos com saúde. No Brasil, os custos com afastamentos e seu impacto sobre a produtividade raramente são contabilizados, e muitas vezes se diluem ao serem incorporados a outros gastos de saúde.


Do ponto de vista da indústria, os gastos com saúde podem ser agrupados em dois grandes blocos: gastos decorrentes de motivos ocupacionais e não ocupacionais. Entre os afastamentos ocupacionais encontram-se os acidentes de trabalho típicos, os acidentes de trabalho de trajeto e as doenças relacionadas ao trabalho. Já no caso dos gastos não ocupacionais, destaca-se para interesse da indústria os afastamentos por doenças não relacionadas ao trabalho.


Na indústria de Santa Catarina, no período de 2012 a 2016 a estimativa de gasto anual com afastamentos variou entre R$64.824.967,39 e R$78.946.955,82, respectivamente. Destaca-se igualmente um aumento de 18,2% dos gastos totais com afastamento no período de 2012 a 2014, equivalente a R$ 14,4 milhões.

Esses valores são referentes aos gastos com os 15 primeiros dias de afastamento¹ e não consideram encargos sociais, perda da produtividade e da produção, indenizações e compensações salariais, dentre outras despesas relacionadas. Deste valor, mais de 85% são decorrentes de doenças não relacionadas ao trabalho, como as Doenças Crônicas não Transmissíveis (doenças cardiovasculares, diabetes, doenças respiratórias crônicas e câncer), que igualmente impactam negativamente na produtividade do trabalhador.


O impacto sobre a produtividade pode ser igualmente visto sob a ótica de dias perdidos de trabalho. Os 14.414 afastamentos ocupacionais da indústria catarinense no ano de 2016 corresponderam a 2.480.844 dias de trabalho perdidos, uma duração média de 172 dias perdidos por afastamento. Mais de 30% dos trabalhadores se afastaram mais de 300 dias por motivos ocupacionais. Esses valores se elevam significativamente quando se trata de afastamentos por doenças não relacionadas ao trabalho, que foram da ordem de 12.427.051 dias de trabalho perdidos, o que representou uma média de 106 dias por afastamento.


Em 2016, os setores que tiveram os maiores custos com afastamento por motivo ocupacional na Indústria de Santa Catarina foram Metalmecânica & Metalurgia (R$ 887.906,21), seguidos pelo Setor de Móveis & Madeira (R$ 646.450,74) e da Construção Civil (R$558.467,27). Destaca-se que esses valores representam apenas uma porção dos custos da indústria com saúde, mas que revelam o impacto que a saúde do trabalhador tem sobre a produtividade da indústria e reforçam a necessidade de gestão da saúde como um componente estratégico da organização.


Para maiores informações acesse o Portal Setorial do Observatório FIESC.

¹ Custo dos primeiros 15 dias de afastamento, valor sem encargos salariais. O valor foi calculado com base na média salarial (RAIS, 2017). O cálculo foi feito para os 15 primeiros dias de afastamento, independente se o indivíduo ficou 15 ou mais dias afastado do ambiente de trabalho.


Fontes: Instituto do Coalizão; Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, Ministério Público do Trabalho (MPT) e Organização Internacional do Trabalho (OIT); Observatório FIESC e Ministério do Trabalho.

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