Indicador sinaliza nova recessão nos EUA

Pela primeira vez desde 2007, as taxas de juros dos títulos do Tesouro dos EUA de três meses (curto prazo) superaram as taxas de títulos de dez anos (longo prazo). Segundo pesquisadores do Federal Reserve, este é uma das sinalizações mais confiáveis de que a economia norte-americana deve sofrer uma nova recessão nos próximos anos. Tal movimento de inversão da curva de rendimentos já precedeu as últimas sete recessões do país norte-americano.


Fonte: Bloomberg.

De acordo com a Bloomberg, este movimento de inversão já estava sendo previsto pelos analistas do mercado financeiro, porém, não se esperava ocorrer tão cedo. Episódio parecido ocorreu em 2005 (aproximadamente dois anos e meio antes da recessão).


Em condições normais, quanto maior o tempo que a aplicação financeira fica retida, maior a incerteza do investidor e a inflação transcorrida no período, o que seria compensado por taxas de juros mais elevadas. Nesse sentido, a inversão dos rendimentos significa que o mercado não está seguro da capacidade de crescimento econômico (e, consequentemente, do aumento dos preços), o que faz com que os retornos de longo prazo se tornem menores que os de curto prazo.


Esta perspectiva de desaceleração do crescimento no longo prazo, portanto, diminui a velocidade de compra destes títulos e acelera a aquisição de títulos com retornos mais rápidos e menos incertos, o que ocasiona a reversão na curva da taxa de juros.

Em outras palavras, como a inflação geralmente estão ligadas a um forte crescimento econômico, uma curva de rendimentos fortemente inclinada para cima geralmente significa que os investidores têm expectativas otimistas. Já uma curva de rendimento invertida, em contraste, tem sido um indicador confiável de iminentes recessões econômicas, como a que começou há cerca de 11 anos.


Considerando que somente duas vezes na história este movimento de inversão das taxas de juros não foi acompanhada por recessão econômica, a Bloomberg reconhece que há preocupação com uma nova queda da economia norte-americana, o que poderia trazer efeitos sob os diversos parceiros comerciais do país.


Por outro lado, alerta-se que o período entre a inversão das taxas de juros e a recessão pode ser longo. Em 1998, por exemplo, houve a inversão das taxas durante o mês de maio e a bolsa de valores continuou subindo até março de 2000 e a crise econômica ocorreu apenas em março de 2001, cerca de três anos após a sinalização. Nessa linha, a expectativa da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) para a economia dos Estados Unidos para o ano de 2020 ainda é superior a 2%.


De qualquer modo, uma vez que os Estados Unidos é o segundo maior parceiro comercial de Santa Catarina, adquirindo cerca de 15% do total das exportações catarinenses, a inversão da curva de rendimentos norte-americana pode servir de alerta para as indústrias catarinenses que comercializam seus produtos com os norte-americanos.



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