Indústria geral registra redução no fechamento de vagas em maio

O setor industrial catarinense vem sentido os efeitos da pandemia sobre a atividade econômica, entretanto, registrou uma quantidade menor no fechamento de postos de trabalho no mês de maio, quando comparado ao mês de abril. A indústria geral fechou o mês com saldo de -10.957 postos de trabalho, ante -34.253 em abril. Esse resultado pode ser explicado, em parte, pelo avanço do uso da MP 936/2020 na manutenção do emprego e renda em Santa Catarina e por uma reavaliação das expectativas por parte dos industriais com redução do pessimismo sobre a atividade industrial.

Os reflexos da pandemia sobre a atividade industrial serão melhor compreendidos à medida que os principais indicadores econômicos são divulgados. Em relação ao mercado de trabalho, são observadas diferentes dinâmicas entre os setores industriais, tendo como principal influência as características de cada atividade. Por essa razão, observa-se uma disparidade entre o setor agroalimentar e têxtil e confecção, por exemplo.


A redução no nível de estoques de carne suína e soja na China, bem como a inserção do setor agroalimentar como atividade essencial, mantiveram as atividades industriais desse setor, refletindo em aumento de produção, massa salarial, vendas e número de empregados. Desse modo, o setor registrou expansão de 1.025 novos postos de trabalho no mês de maio de 2020.


O setor têxtil e confecção atualmente opera com baixa capacidade causada, em parte, pela diminuição nas vendas do varejo – apesar de utilizar mais o mercado virtual.

A expectativa é que com o avanço da flexibilização das medidas de distanciamento o setor recupere parte da perda de produção durante a pandemia. A redução nas exportações também impõe pressão negativa sobre a atividade setorial. Em Santa Catarina, o setor registrou o maior fechamento de postos de trabalho no mês de maio, registrando um saldo de -5.029.



Indústria nacional

A indústria geral no Brasil durante o mês de maio registrou o fechamento de 115.670 postos de trabalho. As atividades industriais mais afetadas foram os setores têxtil e confecção (-21.246); construção civil (-18.758); couro e calçados (-17.855); e agroalimentar (-2.687).

O fechamento de postos de trabalho na indústria têxtil e confecção foram puxadas, principalmente, pelos estados de São Paulo e Santa Catarina; que juntos registraram saldo de -10.666. Em relação à construção civil, apesar do saldo negativo, existe certa desigualdade no nível de atividade. Enquanto os estados do Paraná (+1.489), Goiás (+934) e Tocantins (+449) registraram aberturas de postos de trabalho, São Paulo (-7.080), Rio de Janeiro (-4.585) e Pernambuco (-1.740) impulsionaram o saldo negativo para a atividade setorial no Brasil.


O setor de couro e calçados registrou o fechamento de 17.855 postos de trabalho, principalmente com o desempenho dos estados do Rio Grande do Sul (-5.887), São Paulo (-4.597) e Bahia (-2.842). Em relação ao setor agroalimentar, Santa Catarina registrou o maior saldo positivo para mês, amenizando o impacto negativo do setor como um todo para nível de Brasil – seguido por Pernambuco (+1.015) e Mato Grosso (+616). Em sentido contrário, houve redução nos estados de São Paulo (-2.352), Rio Grande do Sul (-1.234) e Rio de Janeiro (-715).



Municípios

Joinville (-1.236) foi o município com maior fechamento de postos de trabalho no mês de maio.

O desempenho esteve relacionado aos setores têxtil e confecção e de metal mecânica e metalurgia. Blumenau também foi impactado negativamente pelo setor têxtil e confecção, registrando fechamento de -839. Em contrapartida, Chapecó e Seara registraram os maiores saldos positivos, com abertura de 397 e 250 novos postos de trabalho. O desempenho está atrelado à atividade agroalimentar.



Considerações

Os reflexos da pandemia para a atividade econômica ainda serão observados ao longo de todo o ano de 2020. Enquanto não houver a identificação de um medicamento mais eficaz ou a criação de uma vacina, torna-se difícil prever por quanto tempo iremos conviver com as restrições sanitárias e seus reflexos sobre a atividade econômica. Entretanto, a indústria de Santa Catarina sempre demonstrou resiliência em momentos de dificuldade, seja pela capacidade de ação de seus empresários, pelo estímulo à inovação ou pela elevada diversidade em seu parque fabril. Esse foi um dos principais fatores que impulsionou a geração de empregos industriais no estado após a crise de 2015.


Além disso, medidas preventivas do Governo Federal dão apoio à manutenção do emprego e renda. Em pesquisa primária realizada junto aos empresários catarinenses, SEBRAE/FIESC/FECOMÉRCIO identificaram elevado uso da MP 936/2020 na manutenção do emprego e renda. De acordo com os resultados da pesquisa, 34% das indústrias utilizaram a medida de suspensão temporária do contrato de trabalho e 35% utilizaram a redução proporcional de jornada de trabalho e salários. É importante destacar que a medida ainda possui margem de ampliação no estado.


  • Facebook - Círculo Branco
  • Twitter - Círculo Branco
  • LinkedIn - Círculo Branco
  • YouTube - Círculo Branco

Iniciativa da FIESC - Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina

Rod. Admar Gonzaga, 2765 - Florianópolis/SC - 88034-001