Impacto do COVID-19 na indústria catarinense (Resultados da Pesquisa Primária)


A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) por intermédio do Observatório FIESC, área do Centro de Inteligência do Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina (IEL/SC), realizou uma pesquisa primária com o setor produtivo catarinense para mapear a situação das empresas perante à crise gerada pelo novo coronavírus, de modo a mensurar o impacto da COVID-19 na economia industrial catarinense, bem como as percepções em relação à atuação do poder público.


A pesquisa foi realizada entre os dias 31/03/2020 e 08/04/2020 e obteve uma amostra de 740 empresas, sendo 54,3% de pequeno porte, 37,6% de médio porte e 8,1% de grande porte. A abrangência geográfica da pesquisa foi de 44% dos municípios catarinenses em diversos setores industriais.

Os cinco setores que mais responderam a pesquisa foram: Móveis (11,6%), Construção Civil (11,4%), Madeira (9,6%), Confecção (8,5%) e Alimentos (6,8%). A distribuição completa dos setores respondentes está representada no gráfico a seguir.





Do total de 129 municípios participantes na pesquisa, a mesorregião norte catarinense foi a mais representada no número de respondentes.


Os municípios com maior taxa de respondentes foram Jaraguá do Sul, com 67 respostas no total, e Joinville com 53 respondentes. Na sequência são representados em mapa de calor os municípios por mesorregiões analisadas pela pesquisa.






Impacto econômico em Santa Catarina


Para analisar os impactos das medidas de restrição em resposta ao avanço do contágio pela COVID-19, os industriais catarinenses informaram na pesquisa realizada pela FIESC suas percepções acerca do impacto na quantidade de empregados, na produção industrial, nas vendas no mercado interno e vendas externas (exportações), a partir da segunda metade do mês de março. Para mensurar esses impactos foram elaborados 2 cenários possíveis, conforme apresentados nos gráficos a seguir. Pesquisa com erro absoluto de 3,6% de uma proporção com 95% de confiança.

Para mensurar o impacto nos empregos industriais utilizou-se como referência a estimativa do número de empregados de 2019, com base nas pesquisas da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS, 2018) e no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED, 2019). Considerando os cenários elaborados, estima-se que haverá uma retração entre 16,1% e 21,0% dos empregos industriais catarinenses. O valor mais provável dessa perda é em torno de 165 mil empregos, considerando o cenário médio.



Com relação à produção industrial e às vendas industriais foi utilizada como referência a Pesquisa Industrial Anual do IBGE (PIA, 2017), a pesquisa primária dos indicadores industriais catarinenses da Confederação Nacional da Indústria (CNI, 2018 e 2019) e as estatísticas de comércio exterior do Brasil (COMEX STAT, 2019). Com base no cenário médio, estima-se uma diminuição de R$ 3,4 bilhões na produção industrial (-28,0%), diminuição de R$ 3,1 bilhões nas vendas do mercado interno (-29,1%) e diminuição de R$ 327 milhões nas exportações industriais (-11,1%) considerando 1 (um) mês de impacto nas atividades industriais catarinenses, com base nos resultados da pesquisa.




Por fim, para fins de comparação com o PIB industrial, analisando o período de interrupção das atividades (30 dias) a queda estimada da produção industrial impacta na redução de 28% no PIB industrial do período, essa redução equivale a 2,3% no PIB Industrial no ano.



Análise do impacto setorial em Santa Catarina


Em relação às respostas sobre o mercado de trabalho, verifica-se que a maioria dos

setores respondentes teve uma redução considerável no número de empregados. Isso se deve ao fato de que esses setores não estão relacionados a produção de produtos essenciais ou estão com restrições na produção.

A síntese dos impactos nos empregos industriais nos diversos setores industriais representados na pesquisa está posto a seguir. Os setores com menor impacto no número de empregos formais foram Alimentos (-5,4%), Metalurgia (-5,6%) e Plásticos (-6,3%). Os setores mais impactados foram Equipamentos Elétricos (-41,7%), Confecção (-41,4%) e Automotiva (-39%).


Com relação ao volume de produção os setores que tiveram um maior número de empresas com redução de volume de produção foram cerâmica, confecção, móveis e automotiva, que apresentaram quedas de 59,1%, 52,6%, 47,3% e 49,8%, respectivamente. Os setores de alimentos e metalurgia registraram as menores retrações, com 6,9% e 6,3%, respectivamente.




O resultado do impacto nas vendas no mercado interno segue um padrão semelhante ao do volume de produção. É possível observar que os setores de alimentos e metalurgia

apresentam as menores reduções em suas vendas, com variações negativas de 6,0% e 7,2%, respectivamente. Novamente, os setores de confecção e automotivo aparecerem como as principais reduções, com variações de -54,3% e -50,4%, respectivamente. Nessa análise, o setor de construção civil também registra forte redução, alcançando -48,2% nas vendas para o mercado interno em comparação com o igual período do ano anterior.


Analisando as vendas nas exportações o único impacto positivo é no setor de Alimentos, no qual apresenta crescimento de 5,3%. Por sua vez, as redução nas exportações é observada nos setores Confecção (-32,6%), Plásticos (-27,8%), e Metal-Mecânica (-20,6%) Bens de Capital.








Análise das medidas dos governos

Na avaliação das medidas tomadas no âmbito das esferas governamentais, a indústria catarinense considerou mais positivas as ações do governo federal com 63% de aprovação. Com relação aos governos estaduais e municipais, as aceitações caem para 25% e 39%, respectivamente.



Segundo os industriais catarinenses, as principais medidas que poderiam ser tomadas pelos governos seriam o isolamento vertical (26%) das pessoas pertencentes ao grupo de risco (doenças cardíacas, pulmonares, diabetes e idosos) e o retorno gradual às atividades (12%). Os benefícios fiscais (16%) e flexibilização do acesso ao crédito (15%), também foram consideradas ações importantes a serem realizadas pelo poder público, como o adiamento do prazo de pagamento dos tributos federais, isenção de taxa de importação de produtos médico-hospitalares, linhas de crédito para capital de giro e para folha de pagamento, assim como menores taxas de juros.



Partindo desse panorama, devido ao impacto já sentido pelos industriais catarinenses, 37,5% dos respondentes apoiam o isolamento apenas de pessoas pertencentes ao grupo de risco (doenças cardíacas, pulmonares, diabetes e idosos) e o retorno gradual às atividades. Assim, manteria as indústrias de todos os setores catarinenses em funcionamento. Com relação aos benefícios fiscais e flexibilização do acesso ao crédito, os industriais buscam adiamento do prazo de pagamento dos tributos federais, isenção de taxa de importação de produtos médico-hospitalares, linhas de crédito para capital de giro e para folha de pagamento, assim como menores taxas de juros.


Confira no site da FIESC a apresentação completa da pesquisa.





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