Impacto da pandemia atinge 5,8% do PIB industrial, mas setores já sinalizam retomada de investimento

Na Pesquisa Impacto do Coronavírus nos Negócios, a FIESC, por meio do Observatório FIESC, segue monitorando a evolução do impacto econômico ocasionado pelo avanço da pandemia da Covid-19 na indústria de Santa Catarina. Nessa edição, foi obtido 445 empresas industriais, distribuídas em 98 municípios catarinenses.


Após um período de adaptação às regras sanitárias para a retomada das atividades industriais, é observado um aumento no número de empresas que se adequaram às novas normas. Esse percentual chega a 32% na atual pesquisa, enquanto na pesquisa anterior representava cerca 9% da amostra. Além disso, o número de empresas com redução na produção registrou queda. A adequação das empresas às restrições sanitárias fez com que o número de empresas com redução na produção reduzisse para 40%, ante 68% na pesquisa anterior.

O processo de adaptação das indústrias catarinenses também refletiu sobre o quadro de funcionários. O Governo Federal, por meio do Ministério de Economia, criou a Medida Provisória 936/2020 com o objetivo de amenizar o impacto econômico causado pelo avanço da pandemia no país. A medida institui o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda, possibilitando o uso de acordos trabalhistas. Em Santa Catarina, é possível identificar avanço do uso da MP na atividade industrial, quando comparada à pesquisa anterior. Ela é um dos principais apoios à indústria na manutenção da renda. Cerca de 40% das indústrias utilizaram a suspensão temporária, enquanto 42% adotou a redução de jornada de trabalho e de salários. Desde o início do mês de abril, foram mais de 300 mil trabalhadores industriais beneficiados pela medida em Santa Catarina.


A pesquisa primária vem demonstrando um cenário mais otimista para a atividade industrial, apesar da redução na atividade econômica. Desde o início da pandemia, é possível observar que os meses de março e abril foram os de maiores dificuldades para a indústria de Santa Catarina. O período é composto pela suspensão de algumas atividades e o início de adaptação por parte das indústrias para a retomada de suas atividades industriais. Desde então, à medida que as restrições sanitárias foram flexibilizadas, a atividade industrial registra um cenário de melhora. Entretanto, o período que compõe a pandemia apresenta uma retração de 19,9% na produção industrial, refletindo em perdas estimadas de R$ 8,6 bilhões. Para fins de comparação, a redução equivale a 5,8% do PIB industrial no ano.



O cenário mais otimista está relacionado ao desempenho observado nos meses de maio e junho. Nessa edição da pesquisa, por exemplo, 20% das empresas industriais informaram terem tido aumento na produção no período, quando comparado com igual período do ano anterior. Destaque para os setores de alimentos e bebidas, que tiveram 36% das empresas respondentes indicando aumento na produção. Esse setor vem demonstrando maior resiliência durante o período da pandemia em função da sua integração ao mercado internacional, especialmente com a China, forte demandante de carne suína. Já para setor de confecção, um dos mais afetados pela crise, cerca de 10% das empresas informaram aumento em suas produções.

Em Santa Catarina, os efeitos da pandemia sobre os estoques industriais, por sua vez, apresentam diferenças entre os setores. A pesquisa primária demonstrou que 25% das empresas registraram redução em seus estoques industriais, refletindo, principalmente, as restrições de oferta em alguns setores. Enquanto isso, 29% das empresas identificaram aumento dos estoques em função da redução nas vendas industriais. Apesar de melhora nos meses de maio e junho, o peso do início da pandemia, especialmente no mês de abril, ainda surte efeito sobre o giro dos estoques de algumas indústrias em Santa Catarina.

Em relação à busca por crédito durante o período da pandemia, houve aumento no número de empresas que tiveram suas solicitações aprovadas. Nessa medição, 23,8% das empresas informaram terem tido crédito aprovado junto ao sistema financeiro. Na pesquisa anterior, esse percentual era de 19,8%. Esse desempenho pode estar relacionado ao maior esforço do Governo Federal no apoio às empresas para que o acesso ao crédito alcançasse toda a cadeia produtiva. Em contrapartida, menos empresas informaram terem procurado empréstimos, uma vez que 50,6% das empresas não solicitaram; antes 43,7% na medição anterior.

Dentre as empresas que conseguiram acesso ao crédito, a manutenção do fluxo de caixa mantém-se como o principal motivo entre o setor industrial. Cerca de 31,9% das empresas informaram que solicitaram o crédito para gestão do fluxo de caixa. Entretanto, é perceptível um movimento de empresas que conseguiram acesso à crédito para realizar investimentos. Por exemplo, a pesquisa identificou que 10,2% das empresas solicitaram crédito para novos investimentos e projetos; 7,9% das empresas solicitaram crédito para continuidade de projetos anteriores; e cerca de 2,8% solicitaram para realizar a aquisição de bens de capital.

Cerca de 22% das empresas que tiveram aprovado a solicitação de crédito, solicitaram para realizar investimentos em novos projetos, manutenção de investimentos anteriores, aquisição de bens, ampliação do quadro de funcionário e/ou publicidade e propaganda. Destaque para o setor de alimentos e bebidas, que tiveram 34% das empresas com crédito aprovado destinado à realização de investimentos. Essa dinâmica demonstra que, apesar das condições econômicas atuais, o setor industrial de Santa Catarina está se readequando para as novas oportunidades. A indústria catarinense possui longo caminho para seguir adiante, entretanto, sempre demonstrou resiliência em momentos de dificuldade, seja pela capacidade de ação de seus empresários, pelo estímulo à inovação ou pela elevada diversidade em seu parque fabril.


Para estimular o processo de recuperação econômica, será de extrema importância que sejam realizados investimentos em infraestrutura e logística, políticas de estímulo à reindustrialização e ao fortalecimento da indústria, além da atração de capital e desenvolvimento de um pacto social e institucional.



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