Faturamento real cresce em maio

Os impactos da pandemia do novo coronavírus continuam afetando o desempenho da indústria de Santa Catarina de forma geral no mês de maio. Apesar de sinalizar melhora no faturamento e aumento nas horas trabalhadas frente ao mês de abril -na série dessazonalizada-, o último levantamento apontou queda dos indicadores de emprego na comparação com o mesmo período do ano anterior. O indicador de horas trabalhadas recuou -11% em relação a maio de 2019, enquanto a massa salarial caiu -9,1% no mesmo período.


A utilização da capacidade instalada da indústria de transformação registrou queda de 1,6 pontos percentuais na comparação com o mês imediatamente anterior, totalizando 71,4% na série dessazonalizada. O resultado foi ainda superior à média brasileira, que totalizou 69,6%. Já as vendas industriais de maio cresceram 7,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior em Santa Catarina, enquanto registraram queda de -17,7% no mesmo período no país.


Vendas Industriais

Na comparação com maio do ano passado, Santa Catarina apresentou crescimento de 7,1% no faturamento real. De acordo com o levantamento feito pela FIESC, seis entre os 14 setores tiveram acréscimo neste comparativo. O melhor resultado foi observado no segmento de produtos alimentícios, com alta de 46,3% no período, puxado principalmente pelo crescimento do volume de exportação de carne suína e soja, em grande parte para a China. Os piores desempenhos, por sua vez, estão nas atividades de metalurgia (-41,2%), minerais não metálicos (-33,9%) e veículos, reboques e carroceria (-33,5%), que estão relacionadas ao setor automotivo, que sofreu forte impacto na demanda com a crise.


De janeiro a maio, o crescimento foi de 6,2%, registrando avanço em seis das 14 atividades pesquisadas, sinalizando uma melhora nas perspectivas de recuperação econômica em relação aos meses anteriores, ainda que com cautela por conta da instabilidade do cenário. Os melhores resultados no acumulado do ano foram em produtos alimentícios (57,4%) e produtos de madeira (18,5%). Os piores, por sua vez ocorreram em vestuário e acessórios (-41,8%), metalurgia (-23,3%) e veículos, reboques e carroceria (-22,9%), sinalizando perdas nos setores têxtil e automotivo, que tem forte influência na economia do estado. Nesse mesmo período o Brasil apresentou queda de -8,1%.


Utilização da Capacidade Instalada

A UCI mostrou uma variação de -1,6 pontos percentuais em relação ao mês anterior, na série dessazonalizada. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve decréscimo de -9,2 p.p., tendo os melhores desempenhos no comparativo nas atividades de produtos de metal e informática e eletrônicos. Na via contrária, estão os setores de minerais não metálicos e veículos, reboques e carroceria, afetados pelas medidas de restrição sobre a produção, visando conter o contágio do covid-19.

Massa Salarial

Frente ao mês de abril registrou-se queda de -1,7%, valor superior ao observado para a variável sem a influência sazonal (que mostra redução de -8,3%) e também para a média nacional, de registrou -8.1% no período. Isso reforça o retorno do índice a um valor próximo da média dos os últimos quatro anos, após resultado destoante, de forte elevação, no mês de março.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, observa-se queda é de -9,1%, reflexo dos impactos da pandemia do coronavírus no mercado de trabalho. Esse resultado é explicado, em parte, pelas medidas de manutenção de emprego adotadas pelo governo federal, que possibilitaram a redução da jornada de trabalho e salários mediante negociação. Apesar disso, os segmentos de produção de borracha e produtos alimentícios apresentaram variação positiva nesse período, crescendo 15,5% e 5,8%, respectivamente. Já os setores de produtos têxteis e de confecção de vestuário foram os mais afetados pela crise, apresentando as maiores retrações, tendo caído 33,1% e 32% em relação a maio de 2019.


No acumulado do ano até o momento, o desempenho da massa salarial é positivo, com taxa igual a 4%, sendo identificado crescimento em oito setores. Os destaques ficam com produtos alimentícios (25,9%) e máquinas e equipamentos (15,6%). Já as menores taxas estão nos setores de metalurgia (-24,4%) e vestuário e acessórios (-21,1%).


Pessoal Empregado

Em relação ao mês anterior, houve recuo do indicador dessazonalizado de -0,1%. No comparativo com o mesmo mês de 2019, a variável mostra queda de -1,8%, mostrando que apesar das medidas voltadas a manutenção do nível de emprego o número de demissões ainda foi elevado. Quatro entre os 14 setores de atividades tiveram desempenho positivo, entre eles produtos alimentícios (12%) e informática e eletrônicos (4,3%). Os impactos negativos no indicador são sentidos principalmente na metalurgia, que teve retração de -33,5%, e vestuário e acessórios, com queda de -15%.


De janeiro a maio, o índice mostra um acréscimo de 0,4%, com ampliação de sete dos 14 setores avaliados. No entanto, o resultado segue apontando trajetória de queda, sendo ainda incertos os efeitos futuros da crise sobre o mercado de trabalho.


No Brasil, observou-se queda de -0,8% no índice de emprego em relação ao mês de abril. Quando comparado ao mesmo mês do ano anterior esse índice registrou queda de -4,7%, resultados também relacionados a crise econômica decorrente da pandemia do coronavírus, que permeou todo o território nacional.


Horas Trabalhadas

O número de horas trabalhadas apresentou acréscimo de 2,8% em relação ao mês anterior na série dessazonalizada. Em nível nacional esse crescimento foi de 6,6%. Já em relação ao mesmo mês do ano passado, houve queda de -11% (e -18,4% para o Brasil), tendência comum a todos indicadores de emprego levantados, que foram diretamente afetados pela crise que se intensificou nos últimos meses. No período, apenas dois setores apresentaram crescimento, sendo o maior em produtos alimentícios (10,6%), seguido pela produção de borracha (4,3%). Na via contrária, encontram-se os segmentos de vestuário e acessórios (-43,3%), metalurgia (-38,4%) e informática e eletrônicos (-37,2%).


Dado este desempenho no mês, as horas trabalhadas acumulam no ano uma variação de -3,3%, apresentando melhor desempenho nos setores de produtos alimentícios (13,7%), borracha e material plástico (12,2%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (3,3%), setores estes que conseguiram, a despeito da crise, manter o nível de emprego, resultado que conserva relação principalmente com a alta demanda externa.


Os recuos de maior destaque, por sua vez, são identificados nos segmentos de Informática e eletrônicos (-32%) e vestuário e acessórios (-28,3%), relacionados a queda na produção e de vendas no varejo.



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