Envelhecer sem saúde custará muito mais caro para as pessoas, para a sociedade e para as operadoras

Uma das únicas certezas da vida é que começamos a envelhecer a partir do momento que nascemos. Envelhecer é uma conquista humana decorrente do desenvolvimento científico e tecnologia. Viver mais implica também em perpetuar hábitos pouco saudáveis, potencializar fatores genéticos e ficar mais tempo exposto a riscos, consequentemente ter uma maior probabilidade de adoecer. Esse aumento da necessidade de cuidados ao longo da vida reflete consequentemente em aumento dos custos com saúde, pública e privada.


Prova disso é que a recente recessão econômica pela qual passamos impactou na taxa de crescimento do número de beneficiários de planos médico-hospitalares, fazendo com que a taxa diminuísse e, eventualmente se tornasse negativa. No entanto, a faixa etária de beneficiários de 59 anos ou mais tem apresentado variação positiva mesmo no período de crise, o que resultou no aumento da proporção de beneficiários idosos de 12,2% para 14,2% entre os anos de 2010 e 2017.


Diante disso, é importante a definição de uma estratégia para o sistema de saúde brasileiro, em suas instâncias pública e privada, lidar com o crescimento da necessidade de cuidados de longo prazo para a população idosa, dado o recente aumento dessa população.


Na Saúde Suplementar deve-se esperar um impacto mais expressivo do envelhecimento, dada a estrutura mais envelhecida da distribuição etária dos beneficiários em relação à população total e a tendência de crescimento dessa faixa numa velocidade maior do que ocorre na população em geral.


Diante da importância desse fenômeno para a sustentabilidade econômico-financeira da Saúde Suplementar, o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) atualiza periodicamente a projeção do impacto do envelhecimento sobre as despesas assistenciais dos planos de saúde médico-hospitalares.


Para conhecer a realidade futura foram feitas duas projeções¹. A Projeção I apontou que o crescimento da despesa assistencial ocorre concomitantemente com o crescimento da participação dos idosos na despesa no setor de saúde suplementar. Enquanto o número de idosos na faixa etária de 59 anos ou mais crescerá 57,8%, as despesas dessa faixa crescerão 64,9%. A Projeção II mostrou que a continuidade da variação dos custos médico-hospitalares acima da inflação nos próximos anos terá grande impacto sobre as despesas da saúde suplementar. Segundo a projeção, a despesa assistencial total irá mais do que dobrar até 2030, um crescimento projetado de 157,3%.



Dada a importância relativa das Internações na composição das despesas assistenciais e da alta taxa de utilização pelas faixas etárias mais idosas, esse item de despesa assistencial foi o que mais teve impacto nos gastos projetados nas duas estimativas.

O estudo concluiu que supondo constantes as taxas de cobertura por faixa etária, considerando o efeito do crescimento da população brasileira e da mudança na composição etária, o número de beneficiários de planos de saúde médico-hospitalares chegará a 51,6 milhões em 2030. Hoje esse número está em 47,3 milhões (out/18).


Considerando apenas o envelhecimento da população, seriam gastos R$ 190,7 bilhões com despesas assistenciais para os beneficiários de planos de saúde médico-hospitalares em 2030. Quando consideradas outras variáveis, esse valor é ainda maior, sendo que, em 2030, seriam gastos R$ 383,5 bilhões considerando a variação dos custos médico hospitalares e do envelhecimento.


No Brasil, a janela de oportunidades ofertada pelo bônus demográfico deve encerrar igualmente em 2030, segundo especialistas. O que resta aos sistemas públicos e privados de saúde é fazer uma gestão eficiente e apoiar os indivíduos a cuidarem da sua saúde cada vez mais, pois pelo tamanho da conta projetada sobrará uma fatia para um de nós pagarmos.


Time Observatório FIESC:

Angélia Berndt

Camilie Pacheco Schmoelz

Danielle Biazzi Leal

Fonte: Instituto de Estudos de Saúde Suplementar, 2018.

¹ Embora o estudo tenha sido realizado com uma amostra que representava 2,3% de todo o mercado de planos médico-hospitalares (dados de planos de saúde individuais de abrangência nacional), cabe ressaltar que toda metodologia de projeção possui limitações. Deve-se ainda levar em conta que não foram projetados os efeitos da variação da frequência de utilização dos serviços e da taxa de cobertura, dos incrementos tecnológicos, do crescimento econômico, entre outras variáveis que influenciam as despesas assistenciais da saúde suplementar.

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