Coronavírus: redução da taxa Selic e os possíveis efeitos na economia

Atualizado: Mar 24

O Banco Central do Brasil (BCB) tem como objetivo principal manter o controle da inflação. E o principal instrumento de política monetária à disposição do BCB para manter a inflação dentro da meta, é por meio da taxa básica de juros Selic. Isso porque, a taxa Selic funciona como referência para as demais taxas de juros da economia, o que influencia diretamente no mercado financeiro, acesso à crédito, investimentos, entre outros.


Além disso, a taxa de juros também está relacionada, em parte, com a taxa de câmbio. De maneira geral, simplificada e sem considerar riscos, uma taxa de juros alta em relação às demais taxas disponíveis no mercado internacional atrai investidores externos, o que contribui para um aumento de dólar no país, logo, uma valorização do real em relação ao dólar.


Após essa breve apresentação sobre a dinâmica da política monetária brasileira, cabe analisar os movimentos mais recentes, relacionados ao mercado mundial. No início da semana (15 a 21/03/2020) o banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve System- FED), em resposta à dinâmica econômica e principalmente aos efeitos do coronavírus, anunciou corte na taxa de juros americana, em uma banda de 0 a 0,25%. Associado a esse movimento, diversos outros países como Indonésia, Taiwan, Filipinas, Austrália, Reino Unido, também divulgaram cortes na taxa de juros. Surgiram então, especulações sobre a reação do Brasil em relação a esse movimento.


No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) é o órgão do BCB responsável por definir a meta da taxa Selic. Nos últimos dias, 17 e 18 de março, foi realizada a reunião do Copom prevista para cada 45 dias, a fim de definir a manutenção ou corte da taxa de juros - que vinha sendo reduzida regularmente desde meados do ano passado, variando de 6,5% em jan/19 a 4,25 em fev/20.


Portanto, levando em consideração os possíveis efeitos da taxa de juros Selic sobre a economia brasileira, assim como apresentado no início do texto, e acompanhando o movimento internacional, na tentativa de amenizar/reduzir as perdas da economia como um todo em função do coronavírus, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,5 p.p., alcançando 3,75% a.a.


No comunicado, o Comitê levou em consideração a desaceleração do crescimento da economia global, a instabilidade do mercado financeiro e a queda nos preços das commodities. Também foi realizado um balanço do risco, de modo que os possíveis efeitos para a inflação são mais difíceis de mensurar devido à incerteza quanto à duração e profundidade dos efeitos do Covid-19.


Outra questão que influenciou a decisão do Copom, foi a situação entre o governo e congresso brasileiro com relação a agenda de reformas fiscais. O Comitê ressaltou que “questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas têm o potencial de elevar a taxa de juros estrutural da economia. Nessa situação, relaxamentos monetários adicionais podem tornar-se contraproducentes se resultarem em aperto nas condições financeiras”. Ou seja, se as reformas não ocorrerem e o governo e o congresso não entrarem em acordo, a economia brasileira terá que atuar com níveis mais elevados de juros.


Nem todas as instituições financeiras concordaram com o discurso do Copom. O Valor-Data realizou uma pesquisa com 47 instituições financeiras e 39 delas acham que os juros não se mantenham nos 3,75% em 2020, caindo ainda mais.


A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) também se posicionou quanto a decisão do Copom, mesmo avaliando positivamente o corte, já que a queda nos juros mantém a economia ativa, estimulando o consumo das famílias e os investimentos das empresas. Porém, ressalta que será necessário um afrouxamento monetário mais agressivo, pois ainda são imensuráveis os efeitos negativos sobre a atividade econômica. A situação das indústrias tende a piorar no período, devido a diminuição da produção e das vendas com as restrições de circulação.


Dados do Índice de Confiança do Empresário Industrial já demonstram perda da confiança na economia nacional. O indicador apresentou queda de 4,4% no Brasil, e de 4,5% em Santa Catarina no mês de março. No Brasil, essa é a maior redução desde junho de 2018, em decorrência da paralisação dos caminhoneiros.


O ambiente de incerteza e as dúvidas quanto à disseminação do Covid-19 irá acarretar em redução de investimentos e consumo das famílias, além da diminuição da produção e das vendas dos empresários. Ademais, os efeitos da conjuntura atual do coronavírus devem levar a outros desafios e iniciativas, em que a redução da taxa de juros por si só não será capaz de contribuir para a retomada da economia.








Fonte:

https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/03/20/novos-cortes-de-juros-seguem-firmes-no-radar.ghtml?GLBID=19a9969077bbcce29dd7718fd71aa8d13466e77356c3261466f6f382d7333733474787a7357685347576a6d5367462d6c3432596e3476755a504b6b4b434d745649646b35447530636a5857442d4144634b4750695a4c6141756d73566a4c7a6f4a764c6a39773d3d3a303a756e6a6f746d6a687571686f636672616366786a

https://valor.globo.com/videos/?video_id=8413982

https://noticias.portaldaindustria.com.br/posicionamentos/ha-necessidade-de-cortes-adicionais-na-selic-avalia-cni/

https://www.bcb.gov.br/controleinflacao

https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/copom

https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/17003/nota

https://www.washingtonpost.com/business/2020/03/15/federal-reserve-slashes-interest-rates-zero-part-wide-ranging-emergency-intervention/

https://www.bbc.com/news/business-51832486

https://www.economiaemdia.com.br/BradescoEconomiaEmDia/static_files/pdf/pt/publicacoes/boletim_diario/boletim_diario_19_03_20.pdf

http://www.portaldaindustria.com.br/estatisticas/icei-indice-de-confianca-do-empresario-industrial/

  • Facebook - Círculo Branco
  • Twitter - Círculo Branco
  • LinkedIn - Círculo Branco
  • YouTube - Círculo Branco

Iniciativa da FIESC - Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina

Rod. Admar Gonzaga, 2765 - Florianópolis/SC - 88034-001