Coronavírus: impacto das fronteiras fechadas

O fechamento das fronteiras é uma medida necessária para frear o contágio do vírus COVID-19. Várias economias globais já anunciaram o bloqueio de suas fronteiras, mas apesar da determinação do fechamento das fronteiras não proibir o trânsito de mercadorias entre os países e sim a circulação de pessoas, há um reflexo indireto no transporte de cargas, gerando muitos atrasos.


Alguns dos parceiros comerciais de Santa Catarina anunciaram os bloqueios das fronteiras, o que reflete um cenário desafiador para os setores nacionais quanto a circulação de mercadorias, como foi o caso da União Europeia, que decidiu fechar as fronteiras externas por um período de 30 dias. Outros países europeus que não participam do acordo também seguiram a mesma decisão.

Na América Latina, países como Argentina, Uruguai, Bolívia, Paraguai, Peru, Venezuela, Equador e Colômbia já anunciaram o fechamento das fronteiras. Ainda não está claro o tipo de bloqueio de cada um desses países, ou seja, se a restrição é apenas à transição de pessoas ou se também incluirá medidas restritivas a produtos. Porém, independente da maneira a ser adotada, haverá uma maior barreira para a troca de mercadorias, além dos efeitos gerados pela redução da produção e/ou o redirecionamento das exportações para abastecer o mercado interno.


Visto isso, cabe identificar quais os possíveis resultados dessas ações, analisando as importações de Santa Catarina em 2019. A Ásia é a principal origem dos produtos comprados pelo estado, com a participação de 52,9% do total importado. Em segundo lugar, a América Latina é responsável por 22,9% das importações, seguida da Europa (15,9%), América do Norte (7,2%), África (1%) e Oceania (0,1%). Considerando o total importado pelo estado, 57% dos produtos são transportados por via marítima, 38,2% via aérea, 4,6% por rodovias e 0,2% não foram declaradas.


Em relação ao comércio com a América Latina, foram importados 1397 tipos de produtos, de acordo com o modal de transporte pelo estado de Santa Catarina. Desses, 40% são transportados por via marítima, 34% por rodovias e 25% por via aérea. Ao observar os principais parceiros do continente, a Argentina foi a origem de 38,3% dos produtos, seguida do Chile (28,0%), México (13,2%), Paraguai (6,5%), Colômbia (5,5%), Uruguai (3,9%), Peru (3,5%) e Equador (0,6%). Os demais países somam os 0,5% restantes.

Portanto, além dos efeitos da redução de produção da maioria dos países da América Latina -- que consequentemente reduzirá a oferta de insumos consumidos pelo Brasil e Santa Catarina - os bloqueios das fronteiras dos países latinos poderão influenciar principalmente a importação de plástico, máquinas, aparelhos elétricos e veículos automóveis. Todavia, a dependência desses produtos ainda é baixa no país, uma vez que também há produção interna.


Também poderá ocorrer dificuldade para comprar produtos alimentícios, tais como peixes, frutas, cereais, leite e carnes, o que em princípio não seria um problema, visto que também são produzidos internamente. Porém, caso haja a redução da produção no estado e país, a dificuldade de importação poderá exercer efeitos significativos na cesta de consumo.

Um ponto de atenção é a importação de produtos da indústria extrativa, como cobre, zinco, alumínio e minério - componentes importantes para a indústria de transformação de Santa Catarina - e que não são produzidos no montante suficiente para atender a produção nacional, principalmente o cobre.



No tocante às exportações do estado, em 2019, 40,1% tiveram destino a países da Ásia, enquanto 25% foram destinados a países da América Latina e 16,2% à Europa. No mesmo ano, fizeram parte da pauta exportadora 922 produtos catarinense e desses produtos, 34% são transportados via aérea, 31% via marítima e 10% via rodoviária. Dentre os países asiáticos a China é o principal parceiro comercial catarinense, 38% da produção catarinense é destinada para a economia chinesa, o Japão vem em seguida com 12,7% das exportações catarinenses para a Ásia, e o Emirados Árabes com 6,6%. Com a retomada da economia chinesa, aos poucos os produtos que são transportados, em sua maioria via marítima, já estão sentindo os impactos para o escoamento da produção, já que navios que saíram do território nacional ainda não retornaram para reabastecer, devido ao congestionamento de navios que se formou nas cidades chinesas.


No mercado interno, foi decretado pelo Governo Estadual, a redução da capacidade produtiva das indústrias, em função do isolamento gradual da população. A exceção ocorre em relação aos produtos com maior demanda dos consumidores no momento, como os alimentícios e aqueles ligadas ao setor de saúde - essas produções deverão ser intensificadas. Assim, além da dificuldade para exportar produtos, tanto em função da redução da produção, quanto em relação ao fechamento das fronteiras, é possível que parte de alguns produtos da pauta de exportação sejam redirecionados para atender o mercado nacional, como é o caso de produtos agrícolas.



Fonte:

http://comexstat.mdic.gov.br/pt/home

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/03/europa-fecha-fronteiras-por-30-dias.shtml

https://brasil.elpais.com/internacional/2020-03-17/paises-da-america-do-sul-fecham-fronteiras-e-ensaiam-cooperacao-diplomatica-para-conter-pandemia.html

https://revistagloborural.globo.com/Colunas/Cassiano-Ribeiro/noticia/2020/03/coronavirus-muda-distribuicao-de-carnes-dentro-e-fora-do-pais.html

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