Confiança do industrial e geração de empregos

Se o investimento é a variável que liga o presente ao futuro, as expectativas dos agentes econômicos têm um poder muito maior de anteceder a geração de oportunidades.


É com este intuito que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) busca cooperar na avaliação do cenário econômico nacional e estadual, auxiliando na previsão da produção industrial.


A partir de questionamentos sobre as condições atuais e expectativas futuras da empresa, indústria catarinense e indústria nacional, o Índice de Confiança resulta em um valor de 0 a 100, sendo que números acima de 50 indicam otimismo do industrial.


Desde novembro de 2018, o ICEI de Santa Catarina vem se destacando pelos maiores níveis de otimismo com a economia desde o início da série histórica mensal, em janeiro de 2010.


A quebra do recorde histórico ocorreu nos meses subsequentes de dezembro e janeiro de 2019, o que levantou questionamentos do quanto este indicador é capaz realmente de predizer os movimentos da economia catarinense.


Para que fosse possível captar os movimentos recentes, utilizou-se do movimento do saldo de empregos para avaliar a relação da confiança do industrial com o aquecimento da atividade econômica.


Com dados divulgados recentemente, Santa Catarina se posicionou como o segundo estado de maior geração de vagas na indústria do Brasil, o que está em sincronia com os valores elevados das expectativas industriais. Ainda assim, busca-se aqui avaliar a correlação das séries de dados em uma visualização mais detalhada.


Para tanto, é preciso primeiro tratar a série de saldo de empregos mensal da indústria catarinense, que apresenta variações sistemáticas em função de sua sazonalidade, principalmente em dezembro e janeiro, onde é preciso reajustar os contratos com prazos determinados (jovens aprendizes).


Considerando esta natureza dos dados, uma média dos últimos 12 meses já seria capaz de apresentar a tendência do saldo de empregos nos últimos anos, mas utiliza-se aqui da técnica conhecida como Filtro HP (Hodrick-Prescott) para separar os movimentos cíclicos da tendência.


Aplicando este procedimento para o Índice de Confiança e projetando esta série para seis meses adiante, percebe-se que há sobreposição quase perfeita do comportamento de ambas as variáveis, o que reforça a capacidade de predição do indicador de confiança sob a capacidade de geração de empregos da indústria do estado.




E o que isso nos revela sobre as perspectivas da indústria? Se considerarmos que a capacidade preditiva do indicador de confiança se mantiver nos próximos meses, é nítido que o volume de geração de novas vagas de emprego deve se fortalecer nos próximos meses, uma vez que o otimismo com a economia tem sido cada vez maior desde novembro.


Um outro ponto de destaque, contudo, é que as tendências das expectativas nos últimos meses têm superestimado a capacidade do crescimento econômico. A explicação para este pequeno descolamento pode estar atrelada à persistente incerteza acerca das reformas fiscais que precisam ser implementadas e ao próprio esgotamento dos fatores produtivos da economia, que necessitam de melhorias em sua infraestrutura básica para que consiga manter um nível de crescimento mais avançado.


Time do Observatório:

Carolina Custódio

Edilene Cavalcanti dos Anjos

Henrique Reichert

Viviane Cirio

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