China recorre à inovação para alimentar 1,3 milhão de pessoas com segurança e qualidade


Fonte: Bits x Bites, 2018 - 2050 China Food Tech Summit.


Com quase um 1/5 da população da terra, cerca de 1,38 bilhão de habitantes, e uma história de fome, a China desloca sua preocupação passada “de como alimentar uma multidão de pessoas” para “como alimentá-los com qualidade no futuro”.


A China realizou esse mês, em Shanghai, a primeira conferência de investimentos em tecnologia de alimentos do país, a China Food Tech 2050. O evento reuniu representantes de países como Alemanha, Suíça, Israel, Estados Unidos, Austrália e Cingapura. Muitos estavam olhando para a China como uma base de mercado e produção, bem como um local de teste real para novas ideias em escala significativa.


O desafio nacional deixou de ser apenas a produção em escala. Os escândalos de segurança alimentar nos últimos anos provocaram novas regulamentações na China, bem como um repensar mais amplo de quais sistemas de fornecimento de alimentos são sustentáveis. Os consumidores, especialmente os residentes em cidades de primeira linha, estão cada vez mais conscientes da necessidade de ter saúde e exigem alimentos mais nutritivos com origens rastreáveis.


A força motriz do mercado no futuro serão os “Millennials” e os “Flexitarians”, disse Hazel Zhang, fundador e CEO da VegPlanet, uma plataforma chinesa de mídia vegana e sustentável com 330.000 seguidores no WeChat. O CEO acredita que a China passará pelo mesmo processo ocorrido no Ocidente, em que as pessoas além de se preocuparem com o meio ambiente, se preocuparão com a saúde e com o corpo.


Entre as tendências apresentadas e discutidas na conferência estavam as proteínas vegetais e as produzidas em laboratório, a valorização de alimentos frescos e o papel dos alimentos funcionais.

Proteína futura


O consumo de carne já estabilizou em países como Estados Unidos, mas continua a subir na China, que aliado a falta de recursos, terra e água, para criar o gado tornou-se um problema real.


A startup de Jerusalém, Future Meat Technologies, desenvolveu uma maneira de reduzir drasticamente o custo de cultivo de células de carne em laboratório - combinando um biorreator com um fígado e um rim artificial. Além de mais barata esta versão assegura a carne características de um churrasco tradicional, como as faixas de gordura que chiam na grelha e o aroma de dar água na boca até mesmo em vegetarianos.


A Future Meat Technologies recebeu financiamento antecipado da Bits x Bites, em maio de 2018, e atraiu US$ 2,2 milhões em investimento, coliderado pela Tyson Ventures, parte da Tyson Foods, uma empresa da Fortune 100.


No campo da proteína vegetal destaca-se outra startup israelense a InnovoPro que desenvolveu um grão-de-bico como ingrediente rico em proteína para produtos alimentícios. O produto pode substituir amidos modificados e outros aditivos. A empresa esta oferecendo ao mercado uma variedade de alimentos como pudins de grão-de-bico, iogurtes, barras de proteína e salgadinhos. Já a Triton, de San Diego, está trabalhando com algas verdes - Chlamydomonas reinhardtii, em forma de pó rico em proteínas. O ingrediente pode ser usado no preparo de massas, molhos, entre outros.


A incorporação desses ingredientes ao cardápio chinês dependerá do seu potencial de adesão ao estilo da sua culinária, afinal comida é sinônimo de cultura e estamos falando de uma das civilizações mais antigas do mundo.


Alimentos frescos são melhores


Segundo o Presidente do Carrefour China os consumidores chineses compram mais de 20% de seus alimentos on-line, a maior proporção mundial. O Carrefour inaugurou recentemente a primeira loja inteligente em Le Marche, em Xangai, com inovações digitais apoiadas pela gigante chinesa de tecnologia Tencent, empresa-mãe do WeChat. Os compradores têm a opção de digitalizar e pagar on-line ou no auto check-out.


Fonte: Bits x Bites, 2018 – Carrefour's Le Marche Shanghai.


As lojas deixarão de ser meros ambientes de compra para se tornarem ambientes agradáveis de experimentação e local de descobertas ativas de novos produtos.

E comida fresca é o carro chefe e central do Carrefour’s Le Marche e da startup de comércio eletrônico 321Cooking.


A 321Cooking, por exemplo, oferece ingredientes frescos, pré-embalados e prontos para serem cozidos nos lares chineses. A startup assumiu as etapas chatas do processo como a limpeza dos alimentos e deixou a parte mais agradável para o cliente, a culinária. Os clientes da marca são 75% mulheres, com idades entre 25 e 35 anos, que vivem nas cidades grandes de Beijing, Shanghai e Guangzhou.


Comida como remédio


Outra tendência entre as empresas de setor alimentício são os alimentos com propriedade medicinal que auxiliam na prevenção e tratamento de problemas de saúde, como a obesidade e o diabetes.


A startup Alchemy Foodtech, de Cingapura, criou uma tecnologia que reduz o índice glicêmico do arroz branco ao nível de arroz integral e acaba de receber financiamento de risco da Bits x Bites.


Para o diretor da Mintel Alimentos e Bebidas, em países como a China onde a alimentação é uma forte questão cultural, não basta apenas apresentar dados científicos e estatísticas, é preciso contar uma história interessante para envolver os consumidores chineses, principalmente os mais velhos com hábitos fortemente enraizados.

Essas foram algumas das muitas discussões acerca da saúde, tecnologia de alimentos e consumidores que os painelistas da conferência apontaram para o Mercado chinês em 2050.


Fatores importantes que impactam nessas tendências e que não podem ficar de fora da discussão são a cultural alimentar milenar praticada pela população chinesa, principalmente entre os mais velhos, a capacidade de produção em escala para atender uma das maiores populações mundiais e o custo desses alimentos novos ou melhorados.

Time do Observatório FIESC:

Angélia Berndt

Camilie Pacheco Schmoelz

Danielle Biazzi Leal


Fonte: Chen May Yee: https://www.jwtintelligence.com/2018/10/2050-china-food-tech-summit-key-trends/

Palavras chave: Saúde, Alimentos, Inovação

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