Brasil perderá status de país livre do sarampo após caso no Pará

O Brasil perderá o certificado de erradicação do sarampo após a confirmação de mais um caso endêmico, ou seja, dentro do território brasileiro em 23 de fevereiro deste ano, no Pará. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (19).

O Brasil viveu um surto da doença em 2018 com mais de 10 mil casos registrados especialmente no Amazonas e em Roraima. Com isso, o Brasil perderá a certificação de país livre da doença e iniciará o plano para retomar o título, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) em 2016, dentro dos próximos 12 meses, segundo o ministério.


Para o ministério, parte do problema está na falta de conhecimento de parcela da população que não conviveu com as doenças como sarampo e poliomelite e desconhece as sequelas que elas deixam. O calendário extenso de vacinação, uma conquista dos avanços da ciência, também faz com que algumas pessoas não voltem para completar as doses necessárias em alguns casos ou priorizem uma ou outra vacina.


As notícias falsas sobre as vacinas e supostos efeitos adversos também são um problema. Em agosto de 2018, o Ministério da Saúde criou um canal exclusivo para combate às chamadas fake news. Através de um número de Whatsapp, a pessoa pode encaminhar uma mensagem duvidosa que foi recebida e checar diretamente com o ministério.

Em comunicado, o ministro Luiz Henrique Mandetta informou que as taxas de vacinação caíram muito nos últimos anos e precisam voltar ao patamar de 95%. "Nosso plano consiste em encaminhar medidas importantes ao Congresso Nacional, como a exigência do certificado de vacinação, não impeditiva, de ingresso na escola e no serviço militar. Reforçaremos, ainda, o monitoramento da vacinação, por meio dos programas de integração de renda e como norma para os trabalhadores de saúde”.


Entre as medidas analisadas estão a ampliação do turno de postos de saúde, e a veiculação de uma campanha, em abril, para estimular a vacinação contra a doenças nos estados do Amazonas, Roraima e Pará, que, desde o ano passado, registram a transmissão ativa do vírus. O foco da imunização são crianças de seis meses a menores de cinco anos, público com menor indicador imunização e mais vulnerável.


Não há detalhes do que poderia ser requisitado para os responsáveis, mas há consciência da equipe que os casos têm de ser analisados individualmente. Isso porque há uma série de fatores que poderiam levar ao atraso na carteira que ultrapassam a responsabilidade dos pais. Entre elas, a falta da vacina no posto, a recusa de profissionais de vacinarem a criança no dia em que pais conseguem levá-la para a imunização, ou o horário restrito de funcionamento das unidades de saúde.


Em alguns postos de saúde, a recomendação é de que não sejam abertos frascos da vacina no fim do expediente, para não perder demais doses. Muitos dos imunizantes são fornecidos em apresentações que trazem várias doses. Quando um frasco é aberto em um dia e não é utilizado, ele tem de ser descartado. Temendo questionamentos do Tribunal de Contas da União, alguns municípios recomendam que a criança retorne no dia seguinte. O problema, no entanto, é que muitos pais não têm condições de voltar.


Quando tomou posse no cargo de ministro, Mandetta anunciou a criação de terceiro turno nas unidades de saúde, justamente para atender pais e mães que trabalham e não têm como levar seus filhos no horário comercial. De acordo com a equipe de Mandetta, a mudança deverá ser colocada em prática num curto período de tempo.


Mais de 10 mil casos


Em janeiro de 2019, o Brasil tinha três estados com surto da doença: Amazonas, Roraima e Pará. Entre fevereiro de 2018 e fevereiro de 2019, o país registrou 10.374 casos. O pico foi atingido em julho de 2018, com 3.950 casos.



Até 19 de março, houve confirmação laboratorial de 48 casos de sarampo no Brasil. Destes, 20 estão relacionados a casos importados e 28 a casos endêmicos, sendo 23 no Pará e cinco no Amazonas.

Outros estados também apresentaram casos confirmados, mas não estão em surto da doença.


O critério estabelecido para a retirada do certificado de erradicação é a incidência de casos confirmados do mesmo vírus durante 12 meses. Segundo a OMS, a primeira pessoa infectada dentro do território brasileiro ocorreu em 19 de fevereiro de 2018.



O Brasil tem um modelo considerado exemplar quando o assunto é o calendário de vacinação, mas a oferta de vacinas no SUS não tem sido suficiente para garantir a taxa desejável de cobertura vacinal da população.


Por causa disso, em 2017 o país teve o menor índice de vacinação em crianças menores de um ano em 16 anos. Todas as vacinas recomendadas para adultos estão abaixo da meta de cobertura ideal.


Em Santa Catarina, o último caso de sarampo foi registrado em 2013 em um paciente com histórico de viagem internacional. Em 2018, segundo a Dive/SC, foram aplicadas 81.213 doses da vacina tríplice viral em crianças de um ano de idade, o que corresponde a 85,21% de cobertura vacinal (dados preliminares) em SC. A meta era imunizar pelo menos 95% do público-alvo (criança de um ano a menores de 5 anos de idade). A vacina protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Acima dessa faixa etária foram aplicadas 444.729 doses da vacina tríplice viral no Estado. No mesmo ano foram aplicadas 60.651 doses da vacina tetraviral, que protege contra sarampo, rubéola, caxumba e varicela. Os números correspondem a uma cobertura vacinal de apenas 63,64%.


A recomendação é de que pessoas com idade entre 1 e 29 anos recebam duas doses da vacina contra o sarampo, enquanto as de 30 a 58 anos podem receber dose única.


Fontes: G1. Ciência e Saúde.

Saúde Estadão.

Ministério da Saúde.

Diretoria de Vigilância Epidemiológica. DIVE.

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