Beneficiários de plano de saúde tem hábitos mais saudáveis e tendem a auto avaliar melhor sua saúde

A produção de dados e monitoramento da situação de saúde da população é fundamental para o entendimento das especificidades para orientar na criação de programas, ações e políticas voltadas para a promoção da saúde e prevenção de doenças. Foi com esse objetivo que o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) elaborou o texto “Hábitos alimentares, estilo de vida, doenças crônicas não transmissíveis e fatores de risco entre beneficiários e não beneficiários de planos de saúde no Brasil”. O estudo se baseia em uma análise da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013 e busca descrever diferenças entre beneficiários e não beneficiários de planos de saúde no Brasil segundo hábitos alimentares, estilos de vida, e fatores de risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT).


Segundo os dados da Pesquisa Nacional de Saúde, cerca de 56 milhões de brasileiros (27,9% da população) tinham um plano de saúde em 2013. A maior proporção dos beneficiários era do sexo feminino (53,5%), na faixa etária de 20 a 59 anos (60,1%), brancos (62,3%), casados (41,6%) e com curso superior incompleto (32,2%). Na data da pesquisa, a região Sudeste concentrava 55,7% dos usuários de planos de saúde no país.

Além disso, segundo dados da ANS e da Pnad Contínua Trimestral, sabe-se que em dezembro de 2013, 66% dos beneficiários médico-hospitalares estavam vinculados a planos coletivos empresariais (planos fornecidos pelas empresas para seus empregados).


Hábitos alimentares


No que se refere aos hábitos alimentares, o estudo constatou uma maior proporção de indivíduos ingerindo a quantidade diária recomendada de frutas e vegetais entre os beneficiários de planos de saúde.


Como parâmetro, considerou-se a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) que sugere o consumo de 400 gramas diárias de frutas e hortaliças, o equivalente a, aproximadamente, cinco porções desses alimentos por dia.


Os usuários da saúde suplementar também afirmaram ter o hábito de comer carne ou frango com excesso de gordura em menor quantidade do que as pessoas sem plano de saúde.


Por outro lado, a proporção de beneficiários que consumiram doces de forma inadequada e declararam substituir refeições por sanduíches, salgados ou pizzas cinco ou mais vezes por semana é maior na comparação com os não-beneficiários.


Diante desse quadro, investir em ações de reeducação alimentar deve ser uma prioridade cada vez mais importante para as operadoras de saúde.


Atividade física e comportamento sedentário


Quando se analisou o nível de atividade física entre os dois grupos nos últimos três meses, o percentual de pessoas que disseram praticar exercícios no tempo livre foi maior entre os beneficiários (30,9%) em relação aos não beneficiários (18,9%).


No extremo oposto, constatou-se que cerca de oito a cada dez pessoas sem planos de saúde não praticam atividades físicas com a frequência recomendada pela OMS - observando a recomendação de 150 minutos semanais de atividade física leve ou moderada ou pelo menos 75 minutos de atividade física de intensidade vigorosa. Entre os beneficiários de planos de saúde esse índice foi bem menor (69,2%), mas ainda é preocupante.


O estudo também avaliou a média de tempo que o brasileiro gasta diariamente diante da televisão, considerando como limite “saudável” um máximo de 3 horas diárias diante da telinha. O percentual de pessoas que afirmaram ultrapassar esse limite foi maior entre os não usuários (29,9%) do que entre os usuários de plano de saúde (26,8%).


Prevalência de fatores de risco para DCNT


De acordo com a análise do IESS, a prevalência de fumantes na população brasileira em 2013 era maior entre os não-beneficiários (16,8%) do que entre os beneficiários de planos de saúde (10,0%).


Ao avaliar o consumo mensal de bebida alcoólica, 75,4% dos que não possuem plano de saúde e 69,0% dos que possuem, responderam que não bebem ou bebem menos de uma vez por mês. Na análise oposta, verifica-se que a prevalência dos que consomem bebida alcoólica uma vez ou mais por mês é maior entre os beneficiários de planos de saúde (31,0%) e menor entre não beneficiários (24,6%).


A proporção de pessoas com colesterol alto foi um pouco maior entre os beneficiários de planos de saúde (15,5%) na comparação com os não beneficiários (11,3%). Na prevalência de hipertensão arterial e diabetes não houve diferenças significativas.


Mais de metade da população, tanto de beneficiários (56,4%) quanto de não beneficiários (52,4%), foi classificada com excesso de peso ou obesidade. A prevalência maior de sobrepeso foi registrada entre usuários de planos de saúde. Quanto aos índices de obesidade, não houve diferença significativa.


Percepção do estado de saúde


Segundo os organizadores do estudo, observou-se uma diferença significativa ao analisar a percepção do estado de saúde segundo a posse ou não de um plano de saúde.


Isso fica claro quando se nota que a percepção do próprio estado de saúde como muito boa e boa é proporcionalmente maior entre os beneficiários (77,7%) em comparação com os não beneficiários (61,1%).


Entre as pessoas com plano de saúde, 19,8% avaliou sua saúde como muito boa, 57,9% como boa, 19,3% como regular, 2,3% como ruim e 0,7% como muito ruim.

Já entre as pessoas que não possuem plano de saúde, 10,5% avaliou sua saúde como muito boa, 50,6% como boa, 31,9% como regular, 5,7% como ruim e 1,4% como muito ruim.


Conclusões sobre o perfil de saúde do brasileiro


Apesar de o estudo do IESS ter demonstrado que as pessoas vinculadas a um plano de saúde possuem hábitos alimentares mais saudáveis e tendem a auto avaliar melhor sua saúde, em comparação com os não beneficiários, é notável que existe uma combinação de maus há maus hábitos alimentares e falta de exercício físico em toda a população.


Mais da metade da população nos dois grupos analisados apresentou alta prevalência de consumo de carne ou frango com excesso de gordura, leite integral, doces e sal. Além disso, menos da metade da população pratica atividade física de forma regular. Esses hábitos estão relacionados a frequências mais altas de doenças crônicas na população, o que está de acordo com a alta proporção de pessoas com sobrepeso e obesidade, por exemplo.


Os resultados do estudo mostram que existem diferenças estatisticamente significativas nos parâmetros analisados de adultos com e sem plano de saúde privado no Brasil.

Entre as conclusões expostas pelos pesquisadores está o fato de que o sistema de saúde brasileiro, mesmo entre as operadoras privadas, ainda está excessivamente focado no tratamento de pessoas já doentes. Com isso, as intervenções, tecnologias e ambientes são utilizados para tratar indivíduos já doentes, o que acaba sendo caro, e evitável caso se investisse mais em ações de medicina preventiva e promoção da saúde.


Para contornar esse cenário, os pesquisadores recomendam mais investimentos na atenção primária, incluindo equipes de saúde multidisciplinares e uma ampla cobertura de unidades de atenção básica. Além disso, tanto a inciativa privada quanto a pública devem criar ambientes que auxiliem os indivíduos a praticarem atividade física de forma adequada e a adotarem hábitos de vida mais saudáveis.


Fonte: Instituto de Estudos de Saúde Suplementar

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