Coronavírus: Setores industriais mais afetados





Comércio internacional de Santa Catarina


As exportações catarinenses fecharam o ano de 2019 em queda. Na comparação com 2018, as vendas externas recuaram 4,6%. O resultado negativo foi impulsionado pela queda das vendas de soja, terceiro principal produto da pauta exportadora catarinense. Com participação de 7,4%, as vendas desse grão caíram 31,5% no ano.



Apesar do cenário de queda, as vendas de carnes de aves e de carne suína se destacaram, mantendo-se como os principais produtos exportados no ano. As carnes de aves cresceram 2,12%, enquanto que a carne suína cresceu 35%, tendo como principal destino a China. As vendas de ambas as proteínas animais foram impulsionadas pela febre suína africana, que atingiu fortemente a produção da China no último ano. Apesar da queda de 6,78% no ano, as vendas para a China representam 15,4% da pauta exportadora catarinense, resultado principalmente das exportações de soja (US$ 551 mi), de carne suína (US$ 413 mi) e de carnes de aves (US$ 264 mi).



Além de ser o maior destino das exportações catarinenses, a China também desponta como o principal parceiro comercial das compras do estado. Com 19,9% de crescimento no ano, o país asiático detém 36% de todas as compras dos catarinenses. Considerando a participação dos produtos na pauta de importações de 2019, os destaques ficam para carros (com crescimento de 32,4% no ano em relação ao mesmo período de 2018), cobre refinado (que caiu -11,7% no período) e fios de filamentos sintéticos (com ampliação de 5,2%). Os demais itens com maior volume na pauta são representados por polímeros de etileno e pneus de borracha, que mostraram variações nas importações de -28,91% e 22,97% respectivamente.


Na sequência das principais origens aparecem Argentina (8,8% da pauta e crescimento de 13,93%), Estados Unidos (6,58% do total e crescimento de 3,43%), Chile (6,43% e queda de -2,63%) e Alemanha (5% e queda de -1,08%).




Impacto do Coronavírus nos setores industriais


Uma vez que a China é uma das principais parceiras comerciais do Brasil e Santa Catarina, os efeitos do coronavírus na economia chinesa influenciam diretamente a produção e o comércio brasileiro e, consequentemente, do estado. Além disso, conforme o coronavírus avança em outros países, maiores serão os efeitos na balança comercial brasileira e na economia global.


Os indicadores industriais nacionais e estaduais divulgados até o momento (17/03/2020) ainda não apresentaram impacto perceptível, uma vez que mostram dados até janeiro de 2020. Dessa forma, será possível verificar os resultados com o passar dos próximos meses.


Entre os parceiros comerciais de Santa Catarina estão os países fortemente afetados pelo COVID-19, como China, Estados Unidos, Itália, Irã e Coréia do Sul, que por sua vez deverá prejudicar as transações comerciais de bens e insumos. Nesse sentido, alguns setores industriais poderão ter dificuldade na importação de insumos. Por exemplo, o setor de Máquinas e Equipamentos, Metalurgia, Têxtil & Confecção, Energia, Tecnologia da Informação e Comunicação, Madeira, Materiais Elétricos, Produtos Alimentícios, Agropecuária e Couro e Calçados.


Em relação a China, verifica-se uma participação crescente nas compras internacionais catarinenses. Nos últimos 10 anos as importações catarinenses com origem chinesa aumentaram em 357%, o que deverá impactar principalmente nos insumos de setores representativos da pauta importadora, como o de Máquinas e Equipamentos, Metalurgia e Energia. Esse último poderá sofrer maior impacto devido a 70% das importações serem de origem chinesa. O mesmo vale para o setor de Metalmecânica, com participação 30% em 2019.


Além das consequências do coronavírus na economia chinesa, e consequentemente no desempenho das exportações e importações catarinenses dos próximos meses, as medidas para frear o avanço da doença devem impactar o consumo globalmente, o que afeta principalmente as commodities, principais produtos exportados por Santa Catarina.

O escoamento da safra de soja é a maior preocupação no momento, já que esta safra, segundo o IBGE, deverá ser 8,7% maior em relação a de 2019. Outro fator que alertou os produtores de soja para a exportação foi o acordo comercial entre a China e os Estados Unidos, que ocasionará a redução das compras chinesas de soja associadas às obrigações do acordo com os Estados Unidos. A desaceleração do crescimento da China irá pressionar para uma queda no preço da soja, que está entre os três principais produtos de exportação.



Acompanhe mais informações atualizadas sobre o impacto do coronavírus em:

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