Altos e baixos, a relação comercial de Santa Catarina com a Argentina


Nesta quarta-feira, dia 16 de janeiro, o Presidente da Argentina Maurício Macri se reuniu com o Bolsonaro e alguns líderes da indústria e do governo brasileiro para discussão das negociações entre os países e o futuro do Mercosul.


Próximos geograficamente, a relação comercial de Santa Catarina é marcada pelos altos e baixos ao longo dos últimos 20 anos.


Entre 1997 e 2018 o total das exportações catarinenses para a Argentina cresceu 58,8%, passando de US$ 342 milhões para US$ 544 milhões, configurando-se como 3º principal parceiro comercial de Santa Catarina. Por outro lado, percebe-se que a participação da Argentina na pauta exportadora catarinense é decrescente, passando de 12,2%, na década de 90, para 6,1%, em 2018.



O mesmo cenário ocorre nas importações. Entre 1997 e 2018, as importações catarinenses oriundas da Argentina passaram de US$ 222 milhões para US$ 1,3 bilhões, um expressivo crescimento de 486% no período. Entretanto, a participação das importações passou de 14,3%, em 1997, para 8,4%, em 2018. Mesmo com a queda, a Argentina ocupa a 2º posição como principal origem das importações de Santa Catarina.




Esta baixa relativa do comércio entre ambas as regiões é reflexo da própria evolução econômica do Brasil e Argentina, os quais passaram por períodos conturbados no ambiente político recente.


Atualmente a Argentina tem apresentado uma forte desvalorização de sua moeda, o que faz com que este momento seja considerado a maior crise enfrentada pelo presidente Mauricio Macri, desde sua posse em 2015. O histórico econômico argentino também mostra um constante déficit fiscal (despesas maiores que receitas), o que tem contribuído para o quadro de crise. Além disso, a Argentina fechou o ano anterior com a maior inflação da América Latina (47,6%,) ficando atrás apenas da Venezuela, segundo dados do Instituto de Estatística argentino, divulgado nesta terça (15.01.2019).


O comércio de Santa Catarina com a Argentina


Além da questão econômica, que impacta no volume total transacionado entre o estado e a Argentina, o ano de 2018 reforçou alguns dos tradicionais setores exportadores catarinenses e também destacou perspectivas de novos negócios com os argentinos.


Entre os setores já consolidado nas vendas argentinas, destacam-se as exportações de Celulose e Papel, que cresceram 18% e são representados pelas vendas de papel kraft de Otacílio Costa e Três Barras, de Metalmecânica e metalurgia, que reduziram o total exportado em 20%, mas que mantém percentual elevado na composição das vendas totais, e Agroalimentar, que cresceram 19%, puxados pelo aumento de 45% das vendas de carne suína.


Nessa configuração, os principais municípios exportadores se concentram em Joinville (14%, em função das vendas de Bens de Capital e Metalmecânica), Otacílio Costa (10,5%), São Francisco do Sul (10,2%, influenciado pelo Porto) e Itajaí (9,9%).


Por conta da proximidade das regiões, as saídas dos produtos catarinenses ocorrem em sua maioria pelos municípios do Rio Grande do Sul que fazem fronteira com a Argentina, tais como Uruguaiana (56%) e São Borja (10%), segundo as estatísticas do MDIC de Unidades da Receita Federal (URF). Além delas, as vendas por Itajaí representam 16% do total e o Porto de São Francisco representa 10%.


Nas importações, o principal setor é o Químico e Plástico, que cresceu 12% e se resume a compra de polímeros de etileno e polímeros de propileno. Contudo, o principal destaque é o aumento da importação de veículos (Indústrias Emergentes), que totalizou US$ 236 milhões em 2018, direcionada em sua totalidade a Joinville. A compra deste produto da Argentina era praticamente inexistente nos anos anteriores, o que altera significativamente a composição importadora do estado.


Em reflexo a esta mudança, o Porto de Itajaí aumenta sua participação de 20%, em 2017, para 25%, em 2018. Com maior relevância está a entrada de produtos por Uruguaiana (31%), seguindo do Porto de São Francisco do Sul (14%), São Borja (13%), Dionísio Cerqueira (9%) e o Porto de Imbituba (4%).


Portanto, se o futuro do Mercosul ainda é incerto, as relações comerciais com a Argentina mostram que há oportunidades de expansão. Isto pode ocorrer tanto nos setores já consolidados, tal como as vendas de Papel e Celulose e de Carne suína, como em novos mercados, como é o caso da importação de veículos. Este resgate, contudo, passa pelo equilíbrio econômico que precisa ser encontrado por ambas as nações.

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