STEM (Science, Technology, Engineering and Math) na indústria de tecnologia em Santa Catarina

Atualizado: 5 de Set de 2019

Autoras:

Carolina Custodio (FIESC e UDESC)*

Patricia Bonini (UDESC)**


O setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), em 2006, atingiu R$ 205,9 bilhões de faturamento líquido, com 65,7 mil empresas atuando neste setor (IBGE, 2009). Desde então, ocorre em Santa Catarina, um crescimento expressivo nos setores ligados ao desenvolvimento de novas tecnologias. De acordo com o Panorama do Setor de Tecnologia de Santa Catarina 2018, elaborado pela Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE), em 2015 o setor de tecnologia já representava cerca de 5,6% da economia do estado, com mais de R$ 15,53 bilhões em faturamento.


O ritmo de crescimento acelerado da indústria de tecnologia tem demandado profissionais, especialmente os formados nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Essas áreas de formação e atuação profissional têm sido agrupadas no acrônimo STEM (Science, Tecnology, Engeneering and Mathmatics), uma sigla que se refere a um amplo campo de abordagens distintas e complementares do conhecimento (OFFICE, 2016). Esse segmento da força de trabalho tem merecido destaque porque o desenvolvimento e difusão de novas tecnologias se apoia principalmente nas habilidades e competências dessa força de trabalho.


O estudo realizado por Bonini e Custodio enfocou as características relacionadas ao ensino em nível terciário em Santa Catarina e à atuação laboral no Brasil para identificar o papel das áreas STEM. Para tanto, estabeleceu-se uma correspondência entre os códigos da CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) e o grupo de carreiras STEM, conforme definido pelo Departamento de Comércio Americano.

Enquanto nos Estados Unidos, em 2010, 5.5% da força de trabalho atuavam em empregos STEM, no Brasil, essa proporção não chega a 1%. O gráfico acima ilustra a proporção do trabalho STEM em relação ao total do mercado em cada região. A distribuição desses empregos é heterogênea, sendo a região Centro-Oeste a que possui maior proporção de trabalhadores nas atividades STEM. Similarmente à média do Brasil como um todo, a proporção do trabalho STEM no estado de Santa Catarina é próxima de 1% em 2015.

O gráfico acima ilustra as diferenças entre formação STEM e atuação nos postos de trabalho STEM e a reduzida representatividade feminina nas áreas STEM, tanto na universidade quanto no trabalho. As ocupações agrupadas como STEM correspondem a 0.88% do total do mercado de trabalho e a participação feminina no grupo STEM é de 26%, embora sejam 45% do total do mercado de trabalho. Assim, o perfil de gênero do grupo STEM no mercado de trabalho de Santa Catarina se assemelha ao americano, onde as mulheres são cerca de 24% da força de trabalho STEM.


Em 2015, estavam registrados 391.765 estudantes em Santa Catarina nos cursos de graduação, sendo 56,5% mulheres. A parcela feminina dos concluintes em 2015 era de 66.5% e dentre os ingressantes, 55.7%. Foram identificados 206 cursos de graduação, quando consideradas as diferenças entre habilitações em bacharelado, licenciatura e tecnológico. Os cursos STEM encontrados somam 69. A participação STEM no trabalho é muito menor do que sua correspondente na universidade, que corresponde a 22% dos ingressantes e 15% dos concluintes. Uma explicação para essa diferença se encontra no fato de que formação é diferente de ocupação.


Como ocorre nos demais países, especialmente, nos Estados Unidos, muitas pessoas possuem formação nas carreiras STEM, mas não exercem atividade laboral dentro da área. Por exemplo, os empregos nas áreas de ensino não são considerados STEM. Muitos cursos universitários em áreas deste grupo, como, por exemplo, matemática, física e química, possuem habilitações em licenciatura e bacharelado. Nesse último caso, os formados poderão exercer atividades de ensino. Professores universitários também não estão incluídos no grupo STEM do mercado de trabalho.


Em termos das regiões do Estado de Santa Catarina, o gráfico abaixo ilustra que Florianópolis, Blumenau e Joinville são, de fato, polos tecnológicos, com alta representatividade STEM em sua força de trabalho.

O município de Lages não apresenta perfil de polo tecnológico, com representatividade STEM em sua força de trabalho igual à média do estado, 0.88%. Já Criciúma e Chapecó são polos tecnológicos menos consolidados, mas que estão crescendo nessa direção. Ressalta-se que, juntamente com Blumenau e Florianópolis, Criciúma e Chapecó possuem leis de incentivo à inovação em vigor. Estas leis dispõem sobre medidas de fomento à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo. Dispõem ainda sobre a criação de conselhos e fundos municipais de ciência, tecnologia e inovação, de modo a fortalecer e incentivar o ecossistema de inovação.


No gráfico abaixo compara-se as médias salariais do grupo STEM com o não-STEM em alguns municípios de Santa Catarina. A maior média salarial STEM ocorre em Florianópolis, mas o maior diferencial entre STEM e não-STEM parece estar em Lages, que não se caracteriza por ser polo tecnológico. No entanto, uma análise estatística desses diferenciais salariais requer um certo controle das características dos trabalhadores que influenciam em sua produtividade, tais como idade, tempo no emprego e escolaridade. No que se segue, apresentamos os resultados da comparação entre as médias salariais dos grupos STEM e não-STEM, controlando essas variáveis de produtividade.

O estudo completo está publicado na revista Textos de Economia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pode ser acessado aqui.


Fontes: ACATE, IBGE 2015, INEP 2015 e RAIS 2015.


* Graduanda em Ciências Econômicas pela UDESC. Atua como pesquisadora no Observatório FIESC.

** Professora do Departamento de Ciências Econômicas da UDESC. PhD em Economia por The University of Birmingham - Reino Unido. Atualmente é professora e pesquisadora na UDESC.

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