A inovação a favor da prevenção e tratamento do câncer de mama

O mês de outubro é dedicado ao combate e à prevenção do câncer de mama. O tradicional Outubro Rosa é marcado em todo mundo como uma ação de conscientização de mulheres acerca da doença.


De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres, no mundo e no Brasil, representa cerca de 28% dos novos casos de câncer a cada ano, perdendo apenas para o câncer de pele não melanoma. Nos homens é um tipo raro de câncer e acomete apenas 1% do total de casos da doença.


Estatísticas indicam o aumento da sua incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. Raro antes dos 35 anos, sua incidência cresce progressivamente, entre mulheres especialmente após os 50 anos. Em 2016 o Brasil registrou 16.254 mortes por essa causa. A expectativa é em 2019 sejam registrados 59.700 novos casos da doença.


Existem vários tipos de câncer de mama. Alguns evoluem de forma rápida, outros, não, mas a maioria tem bom prognóstico caso diagnosticado precocemente. Entretanto no Brasil, as taxas de mortalidade de câncer de mama continuam elevadas, especialmente porque a doença ainda é diagnosticada em estágios avançados. Por isso, o autoexame das mamas e a mamografia são essenciais.


As mulheres brasileiras sofrem com o diagnóstico tardio da doença. Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu* constatou que nos Estados Unidos 50,1% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama encontravam-se no estágio inicial da doença, com tumores menores do que 2 centímetros e ainda não palpáveis. No Brasil os diagnósticos nesse estágio precoce ocorreram em apenas 10% dos casos. A possibilidade de cura nos casos de diagnóstico precoce da doença é de cerca de quase 90%.


O mesmo estudo constatou que a detecção do câncer de mama em estágios mais avançados foi observada em 45,8% das pacientes brasileiras e em somente 8,4% das norte-americanas. Nesse nível mais adiantado da doença, a taxa de sobrevida após 10 anos cai para apenas 17% dos casos. No mundo, os países desenvolvidos como os Estados Unidos têm uma relação de 19 mortes por câncer de mama para cada 100 pacientes diagnosticadas com a doença. Na América do Sul, essa proporção sobe para 29,8 mortes.


A boa notícia é que a ciência e a inovação têm investido tempo e recursos em soluções para auxiliar tanto no diagnóstico precoce quanto no tratamento da doença. A seguir destaca-se algumas tendências e inovações no diagnóstico e tratamento do câncer de mama em todo o mundo:


Inovações e tecnologias no campo do diagnóstico


Ilustração: Lucas Kazakevicius/SAÚDE é Vital.

Nova mamografia reduz em 93% a dor durante o exame: o equipamento de mamografia 3D criado pela Hologic promete ajudar todas as mulheres durante o procedimento. A novidade chegou ao Brasil neste ano e reduz em até 93% o desconforto durante o exame e ainda aumenta a eficácia na descoberta do câncer de mama e também no diagnóstico de tumores em mamas densas, onde o resultado muitas vezes é indeterminado. O diferencial do aparelho de mamografia é seu compressor curvo, o SmartCurve que se adapta melhor ao formato da mama e faz com que a mulher sinta menos desconforto.


E-commerce que permite coletar testes que investigam câncer de mama e ovário: Já é possível solicitar teste genético de mutações associadas com maior risco para câncer de mama e ovário. Lançado pela GeneOne, marca de medicina genética do Grupo Dasa, 5ª maior empresa de medicina diagnóstica do mundo, o serviço online possibilita que o paciente receba o kit em casa, contendo o material para coleta de amostra de saliva e análise do DNA. O paciente acessa o site http://www.geneone.store/ e pode optar pela investigação por sequenciamento de nova geração (NGS) dos genes BRCA1 e BRCA2, que são responsáveis pela maioria das mutações germinativas (presentes desde o nascimento), relacionadas com os cânceres hereditários de mama e ovário. O teste genético é indicado quando há dois ou mais casos de câncer de mama e/ou ovário na família, especialmente em idade precoce (pré-menopausa) ou em parentes próximos (familiares de 1º ou 2º grau).


Uma pílula para diagnóstico: Em um estudo publicado na revista Molecular Pharmaceutics, cientistas relatam terem desenvolvido uma “pílula de rastreio de doenças” não invasiva que pode fazer tumores cancerígenos se iluminarem quando expostos à luz infravermelha em camundongos sem usar radiação.


Inovações e tecnologias no campo da assistência e tratamento


BioZorb: criado por Focal Therapeutics, o BioZorb é um dispositivo implantável tridimensional usado em mulheres com câncer de mama em cirurgia de conservação da mama ou mastectomia. Ele fornece um alvo claro para uma terapia de radiação seja mais precisa, o que reduz o risco de recorrência do câncer, ao mesmo tempo que reduz a dose total de radiação.


Mammaprint: produzido pela Agendia, é um teste genômico que analisa o código genético das células do câncer de mama, fornecendo uma avaliação mais precisa do risco de recorrência. Os métodos tradicionais usados ​​para determinar o risco de recidiva do câncer levam a muitas mulheres com câncer de mama em estágio inicial a recebetem quimioterapia. O ensaio Mammaprint 70-Gene é o único teste aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA. Ao contrário de outros testes, os usuários recebem resultados definitivos de baixo risco e alto risco, eliminando a incerteza de uma classificação intermediária de risco e orientando corretamente a necessidade de quimioterapia. Essa classificação ajuda os pacientes e seus médicos a tomarem as decisões mais apropriadas para o tratamento do câncer de mama.


SPY-PHI (Portable Handheld Imager): fabricado pela Novadaq e já aprovado pelo FDA, utiliza a Tecnologia de Imagem Fluorescente SPY que permite aos cirurgiões visualizar o fluxo sanguíneo e a perfusão tecidual relacionada em tempo real, reduzindo complicações cirúrgicas e aumentando as opções de reconstrução da mama para os pacientes. O equipamento pode ser usado durante procedimentos plásticos, microcirúrgicos, reconstrutivos e gastrointestinais.



Ibrance: a Pfizer lançou o Ibrance (palbociclibe), medicamento de tratamento do câncer de mama metastático do tipo hormônio receptor positivo (HR+) e HER2- em mulheres na pós-menopausa. Há mais de 10 anos não havia um tratamento inovador de primeira linha para esse tipo de câncer, que corresponde à maioria dos casos de tumores mamários. Por representar um avanço importante no tratamento do câncer de mama e ser uma alternativa terapêutica única em cenários sem outras opções, Ibrance foi incluído na lista de medicamentos de revisão prioritária da Food and Drug Administration (FDA) já em 2014, recebendo aprovação logo depois nos Estados Unidos, em fevereiro de 2015, dois meses antes do previsto. O medicamento está licenciado na União Europeia, desde 2016 e neste ano foi aprovado no Brasil.


* O estudo, iniciado em 2011, levantou dados de pacientes diagnosticadas entre 1998 e 2001, para que pudessem ser observadas as taxas de sobrevida após 10 anos do início do tratamento. Foram utilizados dados de 47 mil pacientes dos Estados Unidos, obtidos no programa The Surveillance, Epidemiology, and End Results (SEER), que representa 28% da população do país. Ele comparou com informações de 834 pacientes do Hospital do Câncer de Barretos (SP), considerado Centro de Referência de Alta Complexidade em Oncologia (Cracon), que atende basicamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e existe há 50 anos.


Fonte: Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva – INCA; Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM DATASUS.

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